Mocidade Independente de Padre Miguel retrata ditadura militar na vida de Rita Lee na Sapucaí
Escola levou à avenida cenas da prisão, da censura e da perseguição sofrida pela artista durante o regime militar.
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A Mocidade Independente de Padre Miguel transformou a Marquês de Sapucaí em palco para recontar um dos períodos mais marcantes da trajetória de Rita Lee. No desfile deste ano, a escola abordou a prisão da cantora, a censura às suas músicas e a perseguição enfrentada durante a ditadura militar, elementos centrais do enredo em homenagem à artista.
As referências começaram na comissão de frente. Em cena, uma jovem Rita foi retirada de um jipe por soldados e apareceu encarcerada, cercada por militares. A bailarina Pâmela Philigret, que representou a cantora, protagonizou um momento simbólico ao acender um cigarro dentro da cela, reforçando a postura desafiadora que marcou a personalidade da artista. Em seguida, a narrativa ganhou tom lúdico com a intervenção de “bruxas”, que libertaram Rita, enquanto as grades da prisão se transformavam em um disco voador, de onde ela surgia com violão em mãos.
O terceiro carro alegórico, batizado de “Xadrez 21”, trouxe a representação do cárcere onde Rita Lee ficou presa após ser acusada de porte de maconha. A alegoria foi concebida como uma grande prisão, com escultura de um policial ao fundo simbolizando a repressão do período. Componentes caracterizados como presidiárias representavam as companheiras de cela da cantora, enquanto integrantes fantasiados de carcereiros faziam a escolta.
À frente do carro, a figura da “Ovelha Negra” — referência a um dos maiores sucessos da artista — apareceu como símbolo da postura contestadora de Rita Lee diante do que a escola classificou como preconceito e conservadorismo da época. Soldados estilizados como “soldadinhos dos anos de chumbo” também integraram a composição.
A oitava ala, intitulada “Prisioneira”, reforçou a narrativa ao desfilar com integrantes usando jaulas com rodinhas e fantasias listradas em preto e branco, em alusão aos uniformes prisionais. Nas laterais, componentes caracterizados como policiais representavam a vigilância e a repressão atribuídas à artista por suas atitudes consideradas transgressoras.
Outro ponto central do desfile foi a censura. O enredo destacou que Rita Lee esteve entre as artistas mais atingidas pelo controle estatal durante o regime militar, com músicas e até álbuns vetados. A musa Patrícia Parada desfilou com fantasia inspirada nos agentes da repressão, remetendo aos uniformes policiais da época e simbolizando a atuação do Estado para censurar e silenciar opositores.