Letalidade policial cresce em 17 estados em 2025, em tendência oposta à queda de mortes violentas
Bahia lidera em números absolutos, com 1.569 mortes; Rondônia tem maior alta percentual (488%). Especialistas apontam para uma política de segurança focada no confronto, enquanto suicídios de policiais seguem em patamar alarmante
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A quantidade de pessoas mortas por policiais em serviço aumentou em 17 unidades da federação ao longo de 2025, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública compilados pelo g1. No geral, o Brasil registrou um crescimento de 4,5% nesse indicador, que segue na direção contrária à tendência de queda nas mortes violentas intencionais no país.
Em números absolutos, os estados com mais registros foram a Bahia (1.569 casos), São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798). Quando considerada a taxa por 100 mil habitantes, os maiores índices estão no Amapá (17,11), na Bahia (10,55) e no Pará (7,28). Nove estados tiveram queda, e o Distrito Federal manteve os números de 2024.
Rondônia registrou o aumento percentual mais expressivo: 488%, saltando de 8 mortes em 2024 para 47 em 2025. Segundo o promotor Pablo Viscardi, do Ministério Público de Rondônia, o crescimento está relacionado a conflitos entre facções criminosas em Porto Velho, que levaram a um reforço das operações e do policiamento ostensivo.
A alta de 13% no Rio de Janeiro (798 casos) foi impulsionada por operações de grande escala, como a "Operação Contenção" em outubro, nos complexos da Penha e do Alemão, que terminou com 121 mortos (117 suspeitos e 4 policiais).
Para o tenente-coronel da PM-SP aposentado Adilson Paes de Souza, os números refletem a continuidade de uma política de segurança pública focada na "eliminação de pessoas classificadas como marginais". Ele ressalta que esta lógica atravessa espectros políticos, citando que os três estados com mais mortes são governados por partidos de esquerda (PT, na Bahia) e de direita (PL e Republicanos, no RJ e SP).
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, avalia que iniciativas para fornecer alternativas não-letais aos policiais têm tido pouco efeito na prática. "Continuamos tendo no Brasil patamares muito altos de uso da força policial. Essa não é uma preocupação dos estados em geral", afirma.
Paralelamente ao aumento da letalidade policial, o número de agentes de segurança mortos em 2025 caiu 8%, totalizando 185 casos. O Rio de Janeiro concentrou 42% dessas mortes (77), com alta de 35% ante 2024.
Os suicídios entre policiais também diminuíram 13% (de 151 para 131), mas mantêm um patamar alarmante: um agente tira a própria vida a cada três dias no Brasil. São Paulo teve alta de 65% nesse tipo de registro. Nos últimos dez anos, 1.303 agentes de segurança pública cometeram suicídio.
Em resumo, o cenário de 2025 apresenta um paradoxo: enquanto as mortes violentas intencionais na população geral seguem em queda, as mortes provocadas por policiais aumentam, e os agentes de segurança continuam expostos a níveis críticos de violência e sofrimento mental, em um ciclo que, segundo especialistas, não gera segurança efetiva para a sociedade