Laudo da PF aponta alterações neurológicas em Jair Bolsonaro e associa risco de quedas a dieta e uso de remédios
Documento menciona déficit de vitaminas, polifarmácia e "dieta pouco variada" como fatores de risco. STF determina que defesa e PGR se manifestem sobre o laudo
Publicado em
A Polícia Federal (PF) divulgou um laudo médico nesta sexta-feira (6) informando que foram encontradas alterações neurológicas em exames realizados no ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, em Brasília. O documento associa o risco de quedas – como a que causou um traumatismo craniano leve ao ex-presidente em janeiro – a fatores como déficit de vitaminas, interação de medicamentos e dieta inadequada.
Principais achados do laudo:
- Alterações Neurológicas: Foram identificadas no exame físico, motivadas pela investigação do histórico de queda e desequilíbrio.
- Hipótese de Déficit Nutricional: O laudo menciona possível hipovitaminose do complexo B (como B12 e ácido fólico), devido à idade, uso crônico de medicamento para refluxo e uma "dieta pouco variada e pobre em frutas, verduras, legumes, laticínios, ovos e outras proteínas".
- Risco de Interação Medicamentosa (Polifarmácia): O uso concomitante de vários remédios, especialmente os que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular, cria um cenário de risco para efeitos como sedação, tontura, lentificação psicomotora e hipotensão, que aumentam a chance de quedas.
O laudo foi motivado pela queda que Bolsonaro sofreu em sua cela no início do ano. A PF afirma que ele tem recebido tratamento médico adequado na Papudinha. O documento, no entanto, pode dificultar um eventual pedido de transferência para prisão domiciliar.
O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o laudo em até cinco dias. Eles podem também solicitar complementações ao exame. Moraes decidiu pelo fim do sigilo da documentação médica.