31 de julho de 2025
ECONOMIA

Operadores apostam em queda do Bitcoin para abaixo de US$ 65 mil em 2026

Contratos em plataformas de previsão indicam alta probabilidade de queda; fluxo de ETFs seca e cenário macroeconômico contribui para o sentimento negativo

Por Redação
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Bitcoin está em queda esta semana. - Foto: Alesia Kozik/ Pexels

O otimismo em torno do Bitcoin parece ter dado lugar a um cenário de cautela extrema entre os operadores do mercado. Após uma queda de 40% desde o recorde histórico de mais de US$ 126 mil em outubro de 2025, as apostas agora indicam uma forte probabilidade de que a criptomoeda mais valiosa do mundo caia ainda mais neste ano.

Dados da plataforma de previsões Polymarket mostram que os especuladores estão majoritariamente pessimistas. Atualmente, os contratos indicam 82% de chance de o Bitcoin atingir um patamar abaixo de US$ 65 mil em 2026 – uma queda de aproximadamente 13% em relação à cotação atual de cerca de US$ 73,2 mil. Para alguns, a perspectiva é ainda pior: há cerca de 60% de probabilidade de a moeda terminar o ano abaixo da marca de US$ 55 mil.

Vários elementos contribuem para este sentimento negativo:

  • Esgotamento dos ETFs: O fluxo positivo de bilhões de dólares para os ETFs de Bitcoin spot nos EUA, um dos principais motores da alta de 2025, secou. A categoria registrou saídas líquidas de quase US$ 4 bilhões nos últimos três meses.
  • Falha na Narrativa de "Proteção": O Bitcoin não conseguiu atuar como um ativo de refúgio (safe haven) em momentos recentes de turbulência macroeconômica, minando uma de suas principais teses de investimento.
  • Liquidções e Destruição de Capital: A queda abrupta de outubro, seguida por nova onda de vendas, liquidou posições alavancadas e destruiu bilhões em valor de mercado, afastando investidores e causando um ressecamento de liquidez.
  • Investidores no Prejuízo: Dados de análise on-chain indicam que o investidor médio em Bitcoin atualmente está com posições perdidas, o que reduz o incentivo para novas compras e aumenta a pressão vendedora.

Este cenário de cautela extrema entre os operadores do dia a dia contrasta fortemente com as projeções públicas de grandes instituições financeiras. Bancos como Standard Chartered e corretoras como Bernstein mantêm projeções de alta a longo prazo, prevendo que o Bitcoin possa atingir US$ 150 mil até o final de 2026. No entanto, o mercado de previsões, que captura o sentimento em tempo real e com dinheiro real em jogo, atualmente atribui apenas 54% de chance para uma recuperação até os US$ 100 mil.

A visão predominante no mercado de derivativos e previsões reflete uma fase de consolidação e incerteza, onde fatores macroeconômicos, fluxos de capital e a falha em narrativas anteriores pesam mais do que os discursos de alta sustentada.

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