31 de julho de 2025

HRW: abuso e letalidade policial no Brasil geram mais insegurança e fortalecem crime organizado

Relatório anual cita 5.920 mortes por policiais em 2025, com negros tendo 3,5 vezes mais risco; operação no Rio que matou 122 é criticada como exemplo de estratégia falha

Por Redação
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Quase 6 mil pessoas morreram em ações de forças de segurança em 2025 - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O uso generalizado da força letal pela polícia como estratégia de segurança no Brasil tem gerado mais violência e insegurança, em vez de proteger a população. A análise é do diretor da Human Rights Watch (HRW) no Brasil, César Muñoz, durante o lançamento do Relatório Mundial 2026 da organização, divulgado nesta quarta-feira (4).

Os dados do relatório mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no país. A violência tem um recorte racial claro: brasileiros negros têm 3,5 vezes mais chances de serem vítimas do que brancos.

A HRW destacou a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro em outubro de 2025, como um exemplo da estratégia falha. A ação, que deixou 122 mortos nos Complexos da Penha e Alemão, é a mais letal da história do estado. “O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”, afirmou Muñoz.

O relatório aponta causas estruturais para a alta letalidade:

  • Falta de apuração adequada: Muñoz critica a falta de independência das perícias, citando que no Rio ela é subordinada à Polícia Civil, o que compromete a investigação de mortes.
  • Corrupção policial: A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, afirmou que “polícias violentas e corruptas fortalecem a ação do crime organizado”. A corrupção dentro do Estado é apontada como um fator que permite a expansão das facções.
  • Saúde mental dos agentes: Em 2025, 185 policiais foram mortos e 131 cometeram suicídio, uma taxa muito acima da média nacional, refletindo a exposição à violência e a falta de apoio adequado.

Os especialistas defendem uma mudança de paradigma:

  • Estratégias baseadas em inteligência e investigação, não no uso irrestrito da força.
  • Controle externo independente sobre a atividade policial, com um Ministério Público atuante.
  • Investimento na saúde mental dos policiais.
  • Combate à corrupção dentro das forças de segurança, entendida como um combustível para o crime organizado.

A conclusão do relatório é que uma polícia violenta não é uma polícia forte, mas sim frágil e vulnerável à corrupção e ao crime, minando a confiança da população e a própria eficácia da segurança pública.

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