31 de julho de 2025
MUNDO

Um mês após a captura de Maduro: os EUA, o petróleo e a reabertura diplomática que estão remodelando a Venezuela

Sob forte pressão de Donald Trump, o governo interino de Delcy Rodríguez adota abertura econômica, liberta presos políticos e negocia a volta da embaixada americana

Por Redação
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Nicolás Maduro, ex-presidente venezuelano preso nos EUA. - Foto: Reprodução

Há exatamente um mês, na madrugada de 3 de janeiro, bombardeios em instalações militares em Caracas anunciavam uma operação norte-americana de grande escala. Horas depois, o presidente Donald Trump confirmou a captura de Nicolás Maduro. O líder chavista foi levado para Nova York, onde responde a acusações de narcoterrorismo.

Desde então, sob a intensa pressão e influência direta de Trump, a Venezuela tem passado por uma transformação vertiginosa em sua política e economia, sob o governo interino da ex-vice Delcy Rodríguez.

As principais mudanças em 30 dias:

1. Abertura do setor petrolífero:
A mudança mais estrutural foi a reforma da Lei de Hidrocarbonetos, aprovada pelo Legislativo em 29 de janeiro. A nova regra abre a exploração de petróleo para empresas estrangeiras atuarem por conta própria, rompendo o modelo anterior que obrigava parcerias controladas pela estatal PDVSA. Trump já afirmou que os EUA começarão a perfurar "em breve" e que controlará quais empresas investirão.

2. Reabertura diplomática com os EUA:
Após anos de ruptura (desde 2019), os países iniciaram um processo de restabelecimento de relações. A Casa Branca anunciou a reabertura de sua embaixada em Caracas e designou uma nova representante diplomática, Laura Dogu, que já se reuniu com Delcy Rodríguez. Uma equipe do Departamento de Estado já está no país para avaliar a logística.

3. Libertação em massa de presos políticos:
Sob exigência internacional, o governo iniciou uma onda de solturas. Segundo a ONG Foro Penal344 presos políticos foram libertados desde 8 de janeiro. O governo fala em mais de 600. Agora, Delcy Rodríguez propôs ao Legislativo uma Lei de Anistia Geral para esses casos e anunciou o fechamento do Helicóide, famosa prisão símbolo de torturas.

4. Subordinação e tensão na retórica:
Apesar das concessões, há um jogo de poder na narrativa. Trump fez declarações sucessivas afirmando "estar no comando" da Venezuela e até publicou uma imagem se autointitulando "presidente interino". Delcy Rodríguez, por sua vez, precisa balancear a obediência prática com afirmações públicas de que "nenhum agente externo" governa o país, repetindo que mantém a soberania.

Linha do tempo:

  • 3 de jan: Trump confirma ataques e captura de Maduro.
  • 5 de jan: Maduro é apresentado à corte em NY; Delcy Rodríguez assume como presidente interina.
  • 7 de jan: EUA anunciam controle da receita das vendas de petróleo venezuelano.
  • 8 de jan: Anúncio do início da libertação de presos políticos.
  • 15 de jan: Proposta de reforma da Lei de Hidrocarbonetos; Delcy se reúne com o diretor da CIA em Caracas.
  • 20 de jan: Trump se reúne com a opositora María Corina Machado e diz querê-la "envolvida" na transição.
  • 29 de jan: Legislativo aprova reforma do petróleo; EUA reabrem espaço aéreo para a Venezuela.
  • 30 de jan: Anúncio da Lei de Anistia Geral e fechamento da prisão do Helicóide.
  • 2 de fev: Delcy Rodríguez se reúne com a enviada americana Laura Dogu.

O cenário atual é de uma Venezuela em transição forçada, onde o chavismo, ainda no poder formal, executa uma agenda amplamente ditada por Washington para normalizar relações e reaquecer a economia petrolífera, em troca de uma sobrevivência política mitigada. O destino de Maduro nos tribunais dos EUA e o papel da oposição tradicional, como María Corina Machado, são os próximos capítulos a serem definidos.

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