Costa Rica elege Laura Fernández, candidata de direita que promete continuidade de governo popular
Protegida do presidente atual, Fernández venceu no primeiro turno com promessa de dar seguimento a políticas rigorosas de segurança e discurso antiestablishment
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A Costa Rica elegeu neste domingo (1°) sua nova presidente: a candidata de direita Laura Fernández, que obteve uma vitória expressiva no primeiro turno. Com quase metade dos votos apurados, ela superou a marca necessária de 40% para evitar um segundo turno. Ex-chefe de gabinete e protegida do popular presidente Rodrigo Chávez, Fernández prometeu dar continuidade às suas políticas de segurança rigorosas e ao seu discurso populista e antiestablishment.
Em seu discurso de vitória, Fernández declarou o fim da "segunda república" do país, iniciada em 1948, e anunciou o início de uma nova era. "A mudança será profunda e irreversível... Cabe a nós construir a terceira república", afirmou para apoiadores em San José. Embora a reeleição consecutiva seja proibida, ela prometeu incluir Chávez em seu governo, capitalizando sua alta aprovação popular (58%).
A vitória de Fernández reflete uma tendência regional de avanço de candidatos de direita na América Latina, observada recentemente no Chile, Equador e Honduras. Seu principal rival, o economista centrista Álvaro Ramos, obteve cerca de um terço dos votos e se comprometeu a apoiar medidas que beneficiem o país.
O partido de Fernández, o Partido Soberano do Povo, deve conquistar a maioria das cadeiras no Congresso (de 57 assentos), saltando das atuais 8 para cerca de 30, embora não alcance uma supermaioria que lhe daria poderes absolutos.
A criminalidade foi o tema central da eleição. Durante o governo Chávez, os homicídios atingiram um recorde histórico, alimentando o medo da população. Fernández soube canalizar essa ansiedade, prometendo manter e intensificar as políticas de segurança duras de seu mentor, que foram a base de sua popularidade apesar dos números negativos.
Eleitores como Gabriela Segura, de 25 anos, expressaram esse temor: "Dá para ver o aumento dos assassinatos, dos feminicídios, e como mulher, tenho muito mais medo de sair na rua do que antes".
Especialistas apontam que a vitória de Fernández consolida um realinhamento político no país, com eleitores tradicionais de centro migrando para sua plataforma. "A Costa Rica, assim como o resto da região, queria um discurso forte em relação à segurança, e Fernández tinha essa retórica", analisa Maria Fernanda Bozmoski, do Atlantic Council. A eleição sinaliza um forte endosso popular ao caminho traçado por Chávez, que agora será conduzido por sua principal aliada.