Marido de mulher em estado vegetativa após erro médico em cirurgia simples descreve série de irregularidades passadas
A mulher sofreu uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia considerada de baixo risco para retirar uma hérnia e uma pedra na vesícula, realizada em 27 de agosto de 2025
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O médico Paulo Menezes usou as redes sociais para relocar, em detalhes, a sequência de falhas que, segundo ele, levaram sua esposa, a servidora pública Camila Miranda Wanderley Nogueira de Menezes, a um estado vegetativo há cinco meses. A mulher sofreu uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia considerada de baixo risco para retirar uma hérnia e uma pedra na vesícula, realizada em 27 de agosto de 2025 no Hospital Esperança, no Recife.
Em vídeo emocionado, Paulo, que é médico, descreveu uma série de irregularidades desde o pré-operatório. Ele afirmou que a anestesista escalada não visitou a paciente antes do procedimento e que, durante a cirurgia, o monitor multiparamétrico indicou que a paciente ficou mais de seis minutos em apneia (sem respirar) sem que a equipe interviesse. “Desde a indução anestésica, o pulmão não estava sendo ventilado”, afirmou.
Segundo seu relato, a frequência cardíaca de Camila caiu a 40 bpm e só então a equição percebeu a gravidade. A parada cardíaca teria durado 15 minutos, e a cirurgia foi concluída enquanto ela estava nessa condição. No prontuário, porém, a cirurgiã teria registrado que o procedimento “transcorreu sem intercorrências”.
Paulo também relatou falhas no pós-operatório imediato, afirmando que a paciente foi transportada da sala cirúrgica para a UTI sem respirador automático, com a anestesista manipulando um ambu (dispositivo manual) com uma mão enquanto usava o celular com a outra.
Estado atual e busca por responsabilidade
Camila permanece internada, dependente de respirador, e passa por intensa reabilitação. “Meu objetivo é que ela, pelo menos, consiga o mínimo de contato com os filhos”, disse o marido.
A família entrou com uma representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) pedindo o afastamento da cirurgiã, da assistente e da anestesista envolvidas. O conselho informou que o processo corre sob sigilo.
Em nota, o Hospital Esperança afirmou que os profissionais foram escolhidos pela própria paciente e que prestou “todo o suporte necessário” ao tomar conhecimento da intercorrência. O caso aguarda as conclusões das investigações ética e judicial.