31 de julho de 2025
MUNDO

Países reagem a novas tarifas dos EUA e classificam medida como "sem fundamento"

Brasil, União Europeia, Canadá, Noruega e Nova Zelândia criticam sobretaxas anunciadas por Washington e prometem buscar respostas diplomáticas e comerciais

Por Redação
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Diversos países reagiram às novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. - Foto: Reprodução

A decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas a cerca de 80 países, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas, provocou uma onda de reações internacionais. Governos da União Europeia, Brasil, Canadá, Noruega e Nova Zelândia contestaram a medida anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e classificaram as justificativas apresentadas por Washington como arbitrárias ou sem fundamento.

As novas tarifas entraram em vigor nesta sexta-feira (24) e variam entre 10% e 12,5%, dependendo da avaliação feita pelo governo norte-americano sobre as políticas adotadas por cada país. O Brasil foi incluído no grupo que recebeu a maior alíquota, de 12,5%.

A principal reação veio da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que afirmou que a justificativa utilizada pelos Estados Unidos não encontra respaldo nas leis trabalhistas do bloco europeu. Durante reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila, ela declarou que a União Europeia buscará esclarecimentos junto ao governo americano.

"Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas e condições de trabalho muito boas para nossos empregados. Portanto, essa justificativa realmente não tem fundamento", afirmou Kallas, segundo a agência Reuters.

Na Noruega, o ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, também criticou duramente a decisão. Segundo ele, cerca de 67% das exportações norueguesas serão atingidas pelas novas tarifas. Em entrevista à emissora pública NRK, o chanceler classificou a medida como "descabida" e disse que o governo discorda da utilização de tarifas comerciais como instrumento de pressão.

O Canadá também sinalizou que poderá adotar medidas em resposta. O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que o país está preparado para defender seus interesses econômicos e não descarta ações de retaliação caso as tarifas sejam efetivamente mantidas.

Já o primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, afirmou que a investigação conduzida pelos Estados Unidos não apresentou evidências suficientes para sustentar as acusações relacionadas ao trabalho forçado. Em publicação nas redes sociais, ele destacou que tarifas aumentam custos para empresas e consumidores e informou que o país continuará buscando novos parceiros comerciais.

Brasil promete recorrer à OMC e aplicar Lei da Reciprocidade

No Brasil, o governo federal divulgou nota oficial rechaçando a decisão dos Estados Unidos e classificando as tarifas como "completamente arbitrárias e injustificadas". O Executivo informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de levar a controvérsia ao mecanismo de solução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o governo brasileiro, a medida anunciada por Washington carece de fundamentação e representa uma barreira comercial incompatível com as regras internacionais.

As novas tarifas foram anunciadas pelo USTR após uma investigação sobre o combate ao trabalho forçado em diversos países. Conforme o órgão norte-americano, as alíquotas foram definidas de acordo com a avaliação das políticas adotadas por cada governo para impedir a importação de produtos fabricados nessas condições.