Surto de vírus Nipah na Índia acende alerta na Ásia
Doença tem alta letalidade e já levou dezenas à quarentena
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Um novo surto do vírus Nipah na Índia colocou autoridades sanitárias da Ásia em alerta e levou países vizinhos a reforçarem os controles em aeroportos e hospitais. Pelo menos cinco casos foram confirmados entre profissionais de saúde em um hospital de Bengala Ocidental, e cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena na unidade.
Apesar da preocupação, especialistas afirmam que é improvável que a doença evolua para uma pandemia. O infectologista Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que as formas de transmissão e o contexto ambiental limitam o alcance do vírus quando comparado a agentes como o da covid-19. Avaliação semelhante é feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que apontam baixo potencial de disseminação global.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Nipah é um vírus zoonótico, transmitido de animais para humanos, mas que também pode se espalhar por alimentos contaminados ou contato direto entre pessoas. A infecção pode variar de casos assintomáticos até doenças respiratórias graves e encefalite fatal.
Alta letalidade e histórico de surtos
Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, o Nipah passou a ser registrado com frequência em Bangladesh e no leste da Índia, onde ocorrem surtos quase anuais. A OMS estima que a taxa de letalidade varie entre 40% e 75%, dependendo da estrutura de atendimento médico disponível em cada região.
O principal reservatório natural do vírus são os morcegos frugívoros, especialmente do gênero Pteropus. Eles não apresentam sintomas, mas podem contaminar frutas, sucos e outros alimentos. Em alguns surtos, a transmissão também ocorreu por contato direto com porcos doentes e, em outros casos, entre pessoas, especialmente em ambientes hospitalares.
Sintomas e diagnóstico
Os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos mais graves, o paciente pode apresentar sonolência, confusão mental, sinais neurológicos, convulsões e coma. O período de incubação costuma variar de 4 a 14 dias, podendo chegar a 45 dias em situações raras.
O diagnóstico é considerado um desafio, já que os sinais iniciais são inespecíficos. Os principais exames utilizados são RT-PCR e testes para detecção de anticorpos.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não existe vacina nem medicamento específico contra o Nipah. O tratamento é baseado em suporte intensivo para complicações respiratórias e neurológicas.
Sem uma forma direta de prevenção por imunização, a OMS recomenda medidas de redução de risco, como:
- evitar o consumo de frutas e sucos possivelmente contaminados por morcegos;
- lavar e descascar bem os alimentos;
- usar equipamentos de proteção ao lidar com animais doentes;
- evitar contato próximo com pessoas infectadas;
- reforçar a higiene das mãos em ambientes de risco.
Monitoramento internacional
Com o novo surto, países como Tailândia, Nepal e Taiwan ampliaram as medidas de vigilância sanitária. A OMS mantém o Nipah na lista de patógenos com potencial epidêmico, mas reforça que, no momento, o maior desafio é o controle localizado dos surtos e a resposta rápida dos sistemas de saúde.