31 de julho de 2025

STF dá 48 horas para governo de SC explicar lei que proíbe cotas raciais em universidades estaduais

Ministro Gilmar Mendes pede esclarecimentos urgentes sobre norma sancionada na semana passada

Por Redação
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Governo de SC tem 48 horas para explicar lei que barra cotas raciais - Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu 48 horas para que o governo de Santa Catarina e a Assembleia Legislativa do estado (Alesc) apresentem esclarecimentos sobre a Lei 19.722/2026, que proíbe cotas raciais em universidades estaduais e instituições de ensino que recebem verbas públicas estaduais. O prazo foi dado devido à urgência de processos seletivos em andamento que podem ser afetados pela nova legislação.

A lei, sancionada pelo governador Jorginho Mello na última sexta-feira (23), veta a reserva de vagas por critério racial para estudantes e servidores, permitindo apenas cotas por critério econômico, para pessoas com deficiência ou egressos da rede pública estadual. Quem descumprir a norma pode sofrer multa de R$ 100 mil por edital e corte de repasses públicos.

Entidades questionam a lei

A constitucionalidade da lei já foi questionada no STF por PSOL, PT, OAB, União Nacional dos Estudantes (UNE), Coalizão Negra por Direitos e Educafro. As entidades alegam que a norma viola decisões anteriores do Supremo – que em 2012 considerou constitucional a política de cotas raciais – e fere o princípio da igualdade material.

Impacto na Udesc

Uma das instituições diretamente afetadas é a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), com cerca de 14 mil alunos. A lei não se aplica a instituições federais, como a UFSC, que seguem a Lei Federal de Cotas (12.711/2012), que reserva 50% das vagas para alunos de escolas públicas, com recortes de renda, raça e deficiência.

A resposta do governo catarinense e da Alesc será analisada pelo ministro relator antes de possíveis decisões monocráticas ou inclusão do caso em pauta do plenário do STF.

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