31 de julho de 2025
SAÚDE

Índia monitora surto do vírus Nipah após cinco casos confirmados em hospital

Transmissão ocorre por contato com morcegos ou alimentos contaminados; especialista afirma que potencial pandêmico é baixo, mas defende vigilância.

Por Redação
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Cinco casos foram confirmados em Bengala Ocidental - Foto: Reprodução/Stringer/Reuters

Autoridades sanitárias da Índia monitoram um surto do vírus Nipah na província de Bengala Ocidental, onde cinco profissionais de saúde de um hospital foram infectados. Cerca de 100 pessoas estão em quarentena na unidade, segundo a agência Reuters. Países vizinhos como Tailândia, Nepal e Taiwan reforçaram medidas de controle em aeroportos.

O vírus, identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia, tem morcegos frugívoros como reservatório natural e pode ser transmitido a humanos pelo consumo de alimentos contaminados (como seiva de tamareira ou frutas) ou por contato direto com animais infectados. Há registros de transmissão entre pessoas, principalmente em ambiente hospitalar.

De acordo com o infectologista Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o surto está ligado a hábitos alimentares e à presença de morcegos na região. “Nesta fase do ano, as tamareiras dão uma seiva muito doce, que os morcegos adoram e que também é consumida por pessoas, muitas vezes sem fervura”, explicou.

A doença pode causar encefalite grave e tem taxa de letalidade superior a 40%. Os sintomas iniciais incluem febre, dor muscular, vômitos e dor de garganta, evoluindo para tontura, sonolência e alteração do nível de consciência. Não há vacina ou tratamento específico; o manejo é apenas de suporte.

Fonseca ressalta que o potencial pandêmico do vírus é considerado baixo em comparação com patógenos de transmissão respiratória, como o SARS-CoV-2. No entanto, defende vigilância ativa, já que o período de incubação de até quatro dias permite que uma pessoa infectada viaje para outros continentes antes de manifestar sintomas.

Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Nipah como uma doença prioritária para pesquisa devido ao seu potencial epidêmico e à falta de contramedidas médicas. Até o momento, não há registros da doença fora da Ásia.

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