31 de julho de 2025
SAÚDE

Índia confirma dois casos do vírus Nipah após 19 anos sem registros; existe risco para o Brasil?

Doença com letalidade de até 75% e sem vacina afetou profissionais de saúde em Calcutá; transmissão de pessoa para pessoa é possível

Por Redação
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Vírus Nipah tem morcegos como principais hospedeiros. - Foto: Freepik

Autoridades de saúde da Índia confirmaram, na última semana, dois casos de infecção pelo vírus Nipah (NiV) em profissionais de saúde de Calcutá, capital de Bengala Ocidental. Os pacientes estão em ventilação mecânica devido à encefalopatia grave. Este é o primeiro registro da doença na região desde 2007, o que acendeu alerta sanitário global.

vírus Nipah é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das doenças prioritárias por seu potencial epidêmico e pela falta de vacinas ou tratamentos específicos. Sua taxa de letalidade varia entre 45% e 75%, e a transmissão pode ocorrer por contato com animais infectados (especialmente morcegos frugívoros), consumo de alimentos contaminados ou diretamente entre humanos, principalmente em ambientes hospitalares.

Na Índia, cerca de 190 amostras de pessoas que tiveram contato com os infectados já testaram negativo, e autoridades reforçam que não há motivos para pânico. No Brasil, segundo a infectologista Carolina Lázari, a chance de surtos é considerada remota, mas o caso ressalta a necessidade de vigilância qualificada contra doenças emergentes.

Sintomas e evolução

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, vômitos e dor de garganta, podendo evoluir para encefalite aguda, pneumonia grave, coma e óbito em 24 a 48 horas. Cerca de 20% dos sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas permanentes, como epilepsia ou alterações de personalidade.

O vírus foi identificado pela primeira vez na Malásia em 1999, em um surto ligado a granjas de suínos. Desde então, ocorreram surtos recorrentes em Bangladesh e no estado indiano de Kerala. A transmissão de pessoa para pessoa já foi documentada em hospitais, o que exige isolamento rigoroso dos casos suspeitos.

Até o momento, não há registro de casos fora da Índia, e as investigações epidemiológicas seguem em andamento para identificar a origem da infecção e conter possíveis cadeias de transmissão.

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