Fumantes têm risco maior de desenvolver depressão, com efeito mais intenso após os 40 anos, revela estudo alemão
Pesquisa com 170 mil pessoas associa número de cigarros por dia à gravidade dos sintomas; ex-fumantes recentes também estão no grupo de maior vulnerabilidade
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O tabagismo está associado a um risco aumentado de desenvolver depressão, especialmente entre pessoas de 40 a 59 anos, segundo um estudo liderado pelo Instituto Central de Saúde Mental (CIMH) da Alemanha, publicado na revista BMC Public Health. A pesquisa analisou dados de mais de 170 mil participantes e revelou que fumantes atuais e ex-fumantes recentes apresentam maior probabilidade de episódios depressivos em comparação com quem nunca fumou.
O trabalho mostrou uma relação dose-resposta: quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, mais graves os sintomas depressivos – cada cigarro adicional foi associado a um aumento de 0,05 ponto na escala de sintomas. Além disso, iniciar o hábito tardiamente atrasa o primeiro episódio depressivo: para cada ano a mais antes de começar a fumar, a depressão surge, em média, 0,24 anos depois.
Segundo a pesquisadora Maja Völker, do CIMH, os mecanismos por trás dessa ligação ainda não são totalmente compreendidos, mas os dados reforçam que fatores temporais – como tempo de abstinência e idade de início – são relevantes. O estudo também apontou um achado positivo: quanto mais tempo sem fumar, menor a frequência e intensidade dos sintomas depressivos.
Como parar de fumar
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda:
- Estabeleça uma data para parar completamente;
- Identifique e evite gatilhos; jogue fora produtos relacionados;
- Reduza gradualmente o número de cigarros;
- Pratique exercícios físicos para controlar a ansiedade;
- Busque apoio terapêutico, especialmente em grupo;
- Persista mesmo em caso de recaída.
A pesquisa analisou apenas o cigarro tradicional, deixando em aberto se outros produtos derivados do tabaco teriam efeito semelhante.