31 de julho de 2025
Embate

Troca de ataques entre Malafaia, Damares e André Valadão expõe divisão entre líderes evangélicos

Embate começou após Damares afirmar que “grandes igrejas” estariam envolvidas em irregularidades investigadas pela CPMI do INSS,

Por Redação
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Embate começou após Damares afirmar que “grandes igrejas” estariam envolvidas em irregularidades investigadas pela CPMI do INSS, - Foto: Reprodução

Uma troca pública de acusações entre o pastor Silas Malafaia, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor André Valadão escancarou divisões internas na liderança evangélica brasileira e ampliou o desgaste político do grupo em meio às articulações para as eleições de 2026.

O embate começou após Damares afirmar que “grandes igrejas” estariam envolvidas em irregularidades investigadas pela CPMI do INSS, sem citar nomes. Em reação, Malafaia classificou a fala da senadora como “leviana” e cobrou que ela apontasse diretamente os responsáveis, afirmando que a declaração lançava suspeita sobre todo o segmento evangélico.

Na sequência, Damares divulgou os nomes de pastores e igrejas citados na comissão e rebateu Malafaia, dizendo que ele deveria “orar um pouco”. Entre os mencionados estava André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, que reagiu com um vídeo nas redes sociais. Na gravação, o pastor criticou o que chamou de “fofoca” e afirmou ser “inadmissível falar da igreja do outro”.

A controvérsia ocorre no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura denúncias envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. Um dos citados foi Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e então pastor da Lagoinha, que acabou afastado de suas funções.

O episódio ampliou tensões já existentes entre lideranças evangélicas, que também divergem sobre o cenário eleitoral de 2026. A possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência não tem consenso entre os principais pastores. Parte do grupo defende o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como cabeça de chapa, com Michelle Bolsonaro (PL) na vice.

Malafaia já declarou publicamente que considera Flávio Bolsonaro eleitoralmente fraco. Damares, por outro lado, anunciou apoio ao senador e afirmou que atuará para mobilizar o eleitorado evangélico em sua campanha.

As divergências também se estendem a temas institucionais. A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal gerou reações opostas entre líderes religiosos. Enquanto nomes como o senador Magno Malta (PL-ES) criticaram a escolha, outros, como o bispo Samuel Ferreira, manifestaram apoio público ao indicado.

Apesar de aliados afirmarem que o grupo tende a se unificar durante a campanha, os conflitos recentes têm ocorrido de forma aberta e pública, algo incomum em ciclos eleitorais anteriores. Para especialistas, o embate evidencia uma liderança evangélica menos coesa e disputas internas que extrapolam o campo religioso e impactam diretamente a articulação política da direita.