Saiba detalhes da prisão do pai que desviou R$ 113 mil arrecadados para tratamento do próprio filho
João Victor dos Santos Oliveira foi preso em Maceió após confessar que usou doações feitas para o tratamento do pequeno Noah, de 1 ano e 5 meses, em apostas online e aluguel de carro
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A Polícia Civil de Alagoas prendeu, nesta sexta-feira (23), João Victor dos Santos Oliveira, suspeito de desviar aproximadamente R$ 113 mil arrecadados em campanhas solidárias destinadas ao tratamento do próprio filho, Noah Gabriel, de 1 ano e 5 meses. A prisão preventiva foi determinada pela Justiça após representação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) e foi cumprida em Maceió, onde o investigado estava escondido na casa de familiares.
Segundo a Polícia Civil, a captura foi realizada por equipes da Delegacia de Murici, coordenadas pelo delegado Mário Jorge Marinho Silva, após o avanço das investigações que apontaram risco de fuga. O dinheiro havia sido arrecadado por meio de vaquinhas virtuais e eventos beneficentes, como rifas e bingos, mobilizando moradores de diversas cidades alagoanas sensibilizados com o estado de saúde da criança.
Noah sofreu amputações nos braços e nas pernas após complicações graves provocadas por uma pneumonia, o que exigia tratamento contínuo, cuidados especiais e custos elevados. No entanto, de acordo com a polícia, a maior parte dos valores arrecadados não foi utilizada para essa finalidade.
Durante depoimento, João Victor admitiu ter gasto o dinheiro com apostas em plataformas virtuais, incluindo jogos de azar populares nas redes sociais, além de despesas pessoais como aluguel de veículo. Ao final do levantamento bancário, os investigadores constataram que restavam apenas cerca de R$ 300 na conta criada especificamente em nome da criança.
O caso veio à tona após a mãe do menino, Mikaelle Ferreira, tornar pública a situação nas redes sociais e procurar o Ministério Público. Ela relatou que passou a desconfiar do companheiro diante da ausência de comprovantes, da falta de transparência e das constantes evasivas sobre o destino das doações.
A Promotoria de Justiça de Murici entendeu que há indícios de crime de apropriação indevida e possível estelionato, destacando o abalo à confiança coletiva e o uso fraudulento da solidariedade popular. Além da prisão preventiva, o MPAL avalia medidas para tentar recuperar os valores desviados e garantir recursos para o tratamento da criança.
João Victor segue custodiado e à disposição do Poder Judiciário. As investigações continuam para apurar se houve participação de terceiros ou outras irregularidades relacionadas às campanhas de arrecadação.