31 de julho de 2025
pesquisa

Estudo aponta que mais de 20% das crianças expostas ao zika vírus tiveram microcefalia pós-natal

Maior pesquisa sobre o tema, com 843 pacientes, mostra que maioria tem quadro grave e precisa de cuidados multidisciplinares

Por Redação
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Além da má-formação no formato do crânio, as crianças apresentaram outros sintomas e anomalias ligados à condição - Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

Dez anos após a epidemia do zika vírus, um estudo pioneiro realizado por cientistas da Universidade de Pernambuco (UPE), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou um dado alarmante: 20,4% das crianças expostas ao vírus durante a gestação desenvolveram microcefalia somente após o nascimento. A pesquisa, publicada na revista científica PLOS Global Public Health, acompanhou 843 crianças nascidas entre 2015 e 2018 em nove cidades brasileiras, sendo a maioria de Pernambuco e Bahia.

Os resultados indicam que 172 crianças nasceram com o perímetro cefálico considerado normal, mas desenvolveram a má-formação craniana à medida que cresciam, condição chamada de microcefalia pós-natal. "Elas nasceram com a cabeça de tamanho normal, mas tinham um dano cerebral que não permitiu o crescimento do cérebro", explicou o infectologista Demócrito Miranda, um dos autores. Além disso, 63,9% das crianças diagnosticadas apresentam microcefalia em grau severo, necessitando de acompanhamento multidisciplinar constante.

A pesquisa, a maior já realizada sobre o tema, detalha que os quadros graves frequentemente vêm acompanhados de outras condições, como deformidades nos pés e nas mãos, hérnias umbilicais e estrabismo. A maior parte das crianças analisadas (196 de Recife e 242 de Salvador) reforça a concentração dos casos no Nordeste.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de o sistema de saúde se organizar para oferecer suporte integral e permanente a essas famílias, garantindo melhor qualidade de vida e evitando o agravamento do quadro clínico. O estudo serve como um alerta para a importância do acompanhamento a longo prazo das crianças expostas ao zika, mesmo que não apresentem anomalias ao nascer.