31 de julho de 2025
esquema de propina

Empresa de médico acusado de duplo homicídio tinha contratos milionários com organização social alvo da PF

Carlos Alberto, que é representante legal da Cirmed, assinou pessoalmente os contratos com a Fundação ABC

Por Redação
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Carlos Alberto, que é representante legal da Cirmed, assinou pessoalmente os contratos com a Fundação ABC - Foto: Reprodução

A Cirmed Serviços Médicos, empresa do médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, acusado de matar dois colegas a tiros na última sexta-feira (16/1) em Barueri, mantinha contratos milionários com a Fundação ABC, organização social de saúde que foi alvo da Operação Estafeta da Polícia Federal (PF) em julho de 2025. A investigação apontava um esquema de propina na gestão da saúde pública de São Bernardo do Campo, que resultou no afastamento do então prefeito Marcelo Lima (Podemos).

Carlos Alberto, que é representante legal da Cirmed, assinou pessoalmente os contratos com a Fundação ABC. Em março de 2024, a empresa firmou um acordo no valor de R$ 6,8 milhões por ano para gerir o Centro Obstétrico e de Parto Normal. Em maio do mesmo ano, outro contrato, de R$ 4 milhões anuais, foi assinado para administrar o Hospital de Clínicas Municipal. A PF, na representação da Operação Estafeta, afirmou que o dinheiro de contratos da Fundação ABC "era distribuído entre servidores e agentes políticos".

Em comunicado após o crime, a Cirmed disse que o desentendimento foi "estritamente pessoal" e que os fatos "não se confundem" com as atividades da empresa. No entanto, o delegado Andreas Schiffmann, responsável pela investigação do duplo homicídio, revelou ao Metrópoles que Carlos Alberto e uma das vítimas, Luís Roberto Pellegrini Gomes, eram donos de empresas concorrentes de gestão hospitalar. "Eles disputavam esses contratos", afirmou o delegado, sem especificar quais.

O crime ocorreu em frente a um restaurante de luxo na Avenida Copacabana, no Alphaville Plus. Câmeras de segurança mostram Carlos Alberto chegando ao local, cumprimentando as vítimas com apertos de mão e, em seguida, iniciando uma discussão que escalou para agressões físicas. Após deixar o estabelecimento e ser revistado por guardas municipais, que não encontraram arma, ele retornou ao estacionamento e efetuou os disparos que mataram Luís Roberto e o funcionário dele, Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos. Segundo uma testemunha, a arma teria sido entregue a Carlos Alberto por uma mulher após a revista.

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