31 de julho de 2025
MUNDO

Banheira ritual de 2 mil anos é encontrado intacto no subsolo de Jerusalém

Mikveh do período do Segundo Templo, selado pela destruição romana no ano 70, revela detalhes da vida religiosa cotidiana próxima ao Muro das Lamentações

Por Redação
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Banheira de purificação de 2 mil anos é encontrada ao lado do muro das lamentações - Foto: Israel Antiquities Authority

Uma descoberta arqueológica excepcional foi revelada sob a Praça do Muro das Lamentações, em Jerusalém: uma banheira de ritual judaico (mikveh) de 2.000 anos, escavado na rocha e notavelmente preservado. A estrutura, datada do final do período do Segundo Templo, oferece um raro retrato físico da vida religiosa cotidiana que foi abruptamente interrompida pela destruição romana da cidade no ano 70.

O mikveh, encontrado selado sob uma espessa camada de cinzas e escombros deixada pela conquista, tem formato retangular (3,05m x 1,35m x 1,85m) e apresenta quatro degraus perfeitamente talhados que conduzem ao interior da piscina, com paredes originalmente revestidas de reboco. Seu design atesta o rigor no cumprimento das leis de pureza ritual da época.

No mesmo estrato arqueológico, os pesquisadores encontraram fragmentos de cerâmica e recipientes de pedra — materiais considerados incapazes de contrair impureza ritual segundo a lei judaica. A presença desses artefatos ao lado do mikveh reforça o caráter religioso do local.

A descoberta ocorreu em uma área estrategicamente localizada, próxima às antigas rotas de acesso ao Monte do Templo, como a Grande Ponte e o Arco de Robinson. Anteriores escavações na região já haviam identificado outros mikva'ot, indicando que esta era uma zona de intensa atividade ritual, frequentada por moradores e por peregrinos durante festividades.

O estado de conservação do mikveh é o que mais impressiona os arqueólogos. Ele foi "congelado no tempo" pela camada de destruição que o selou, conectando-o diretamente aos eventos dramáticos do cerco romano. Isso oferece uma visão única de uma instalação ritual em pleno funcionamento no exato momento do colapso da cidade.

A descoberta demonstra como as leis de pureza moldavam não apenas a prática religiosa, mas também a arquitetura e a vida cotidiana em Jerusalém, especialmente nas proximidades do Templo. O mikveh é, portanto, uma peça fundamental para entender Jerusalém como uma cidade profundamente centrada em sua identidade religiosa.

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