31 de julho de 2025
Direitos Humanos

Brasil reconhece oficialmente morte de Tenório Jr., pianista desaparecido na ditadura argentina

Documento foi emitido quase cinco décadas após o sumiço do músico em Buenos Aires; identificação do corpo ocorreu neste ano

Por Redação
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Pianista brasileiro Francisco Tenorio Cerqueira Junior - Foto: Reprodução Redes Sociais

Quase 50 anos após o desaparecimento, o Estado brasileiro emitiu a certidão de óbito do pianista Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenório Jr., morto na Argentina em 1976, durante o início da ditadura militar no país vizinho. O documento foi expedido pelo 4º Ofício do Gama, no Distrito Federal, a pedido da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).

A informação foi confirmada nesta terça-feira (23) pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Segundo a pasta, a emissão da certidão representa um passo importante no reconhecimento oficial da responsabilidade do Estado brasileiro sobre o caso.

Tenório Jr. desapareceu em 18 de março de 1976, após sair do Hotel Normandie, no centro de Buenos Aires. O músico estava na capital argentina para acompanhar Vinícius de Moraes e Toquinho em uma turnê. Ele tinha 35 anos e deixou a esposa grávida de oito meses, além de outros quatro filhos.

Em setembro deste ano, a Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) confirmou a identidade do pianista por meio da comparação de impressões digitais coletadas em 1976 com registros arquivados no Brasil. Apesar da identificação, os restos mortais do músico não foram localizados. As investigações indicam que o corpo foi enterrado como não identificado no cemitério de Benavídez, na província de Buenos Aires.

De acordo com informações oficiais do governo argentino, dois dias após o desaparecimento, o corpo de um homem foi encontrado em um terreno baldio no bairro de Tigre. A principal linha de investigação aponta que Tenório Jr. foi confundido com um militante político e detido por agentes ligados ao serviço secreto da Marinha argentina, em um contexto de perseguição política que antecedeu o golpe militar de 24 de março de 1976.

Ainda neste ano, a família recebeu o laudo oficial que esclarece a causa da morte do pianista, encerrando décadas de incerteza. O caso integra investigações conduzidas pela Procuradoria de Crimes Contra a Humanidade da Argentina, que apura mortes e desaparecimentos ocorridos entre 1975 e 1983.

No Brasil, o desaparecimento de Tenório Jr. também foi investigado pela Comissão Nacional da Verdade, a partir de 2013, após solicitação da família. O reconhecimento oficial da morte reforça a luta por memória, verdade e justiça para vítimas da repressão na América do Sul.