Secretário de Meio Ambiente de Praia Grande (SP) é alvo de operação da PF por suspeita de facilitar extração ilegal de areia
A investigação aponta que a empresa Aguiar & Sartori extraía areia do Parque Estadual da Serra do Mar, uma unidade de conservação em São Vicente
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O secretário municipal de Meio Ambiente de Praia Grande (SP), Valdir Pereira Ramos Filho, é alvo da Operação Minério, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de extração ilegal de areia em área de preservação ambiental para uso em uma obra de R$ 200 milhões financiada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. A carga teria sido destinada à construção da Vila de Pescadores de Cubatão.
Ramos Filho foi citado em denúncia anônima que embasou a investigação. Segundo a PF, quando era gerente da Agência Ambiental de Santos da Cetesb (entre abril de 2023 e dezembro de 2024), ele teria ajudado a empresa de mineração Aguiar & Sartori a obter uma licença para extrair areia em uma área de proteção ambiental. A autorização foi expedida em novembro de 2023.
Ainda antes de trabalhar na Cetesb, em dezembro de 2022, Ramos Filho já havia sido o "responsável técnico" de um pedido de licença da mesma empresa ao órgão ambiental, conforme documento obtido pela reportagem. O secretário assumiu a pasta em Praia Grande em dezembro de 2024 e, neste mês, conseguiu que o município aderisse ao licenciamento ambiental municipalizado, passando a poder conceder licenças para empreendimentos de alto impacto – função que antes era da Cetesb.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta que a empresa Aguiar & Sartori extraía areia do Parque Estadual da Serra do Mar, uma unidade de conservação em São Vicente. A carga era levada para a pedreira Maria Tereza, também em São Vicente, de onde saía com uma nota fiscal do Grupo Rubão. A PF suspeita que o trajeto servia de "cortina de fumaça" para mascarar a origem ilegal do material.
A areia era então vendida para a construtora Terracom, responsável pela obra da Vila dos Pescadores de Cubatão. A PF também investiga se a Aguiar & Sartori seria uma empresa de fachada do Grupo Rubão, já que seu proprietário tem vínculo trabalhista com a empresa.
A Prefeitura de Praia Grande afirmou, em nota, que "respeita e acompanha as investigações" e destacou que os fatos "não guardam qualquer relação com a Administração Municipal", uma vez que o inquérito se refere a atividades desenvolvidas na Cetesb.