31 de julho de 2025
ESCÂNDALO

Áudio revela esquema ilegal de venda de camarote do Morumbis por dirigentes do São Paulo

Gravação inédita revela que diretor da base, Douglas Schwartzmann, e ex-esposa do presidente, Mara Casares, negociaram camarote presidencial em show da Shakira e pressionaram intermediária para esconder esquema

Por Redação
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Camarote "3A" do Morumbis - Foto: Reprodução/GloboEsporte

Um áudio obtido com exclusividade pelo Globo Esporte escancara um esquema clandestino de comercialização de camarotes do estádio do Morumbis, envolvendo dirigentes do São Paulo Futebol Clube. Na gravação, Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e atual diretora feminina, cultural e de eventos, pressionam uma intermediária para que retire uma ação judicial que ameaça expor o esquema ilegal, montado por ocasião do show da cantora Shakira, em fevereiro.

Na conversa, Schwartzmann admite que o esquema era irregular (“feito de forma clandestina”) e que todos envolvidos lucraram: “Teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou”. Ele ainda afirma que o camarote 3A – localizado em frente ao escritório da presidência e listado internamente como “sala presidência” – foi concedido a Mara Casares pelo superintendente geral do clube, Marcio Carlomagno, braço direito de Julio Casares.

O direito de explorar o camarote foi repassado à intermediária Rita de Cássia Adriana Prado, que vendeu 60 ingressos a até R$ 2,1 mil cada, gerando um faturamento bruto de R$ 132 mil. O problema surgiu quando Adriana entrou na Justiça contra uma empresa que, segundo ela, não pagou integralmente pelos ingressos. Temendo a exposição, Mara e Douglas iniciaram uma intensa pressão para que ela arquivasse o processo.

As ameaças e as revelações no áudio:

  • Medo da Exposição: Schwartzmann alerta repetidamente que o processo judicial vai expor a irregularidade. “Você vai foder com a vida da Mara, e o São Paulo vai ter que declarar que aquele camarote não era comercializado, que foi clandestino”.
  • Envolvimento de Carlomagno: O direitor cita o superintendente: “O Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela”.
  • Aspirações Políticas de Mara: A própria Mara Casares, que aspira a cargos maiores no clube, suplica: “Eu estou percorrendo dentro do São Paulo um caminho profissional de futuro para assumir coisas grandes. E eu vou ser prejudicada.”
  • Futuro do Esquema: Douglas menciona que a “parceria” poderia continuar nos shows futuros no Morumbi, como os de Imagine Dragons e Dua Lipa, mas que estava em risco devido ao processo.

As defesas:

  • São Paulo FC: O clube afirmou, em nota, que o camarote foi destinado à diretoria de Mara Casares para “ações de hospitalidade” e que desconhece o áudio ou um uso inadequado. Disse que os ingressos foram comprados diretamente da produtora do evento.
  • Mara Casares: Confirmou a cessão do camarote a Adriana, mas negou ter tido benefício financeiro. Afirmou que agiu por confiança e que tentou resolver o conflito para evitar danos à imagem do clube.
  • Marcio Carlomagno: Disse ter sido surpreendido pelo uso de seu nome no áudio e refutou que o camarote tenha sido usado de forma clandestina.
  • Douglas Schwartzmann e Adriana Prado: Não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

Especialistas consultados indicam que o caso pode se enquadrar no crime de estelionato. Internamente, o Estatuto do São Paulo prevê penalidades como suspensão e até perda de mandato para associados que causem danos à imagem do clube.

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