Plano de Eduardo Bolsonaro nos EUA perde força com retirada de Moraes da Magnitsky
Medida do governo Trump, após reaproximação com Lula, revoga punições aplicadas a pedido do deputado
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O governo dos Estados Unidos revogou as sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a sua esposa com base na Lei Magnitsky, em uma decisão que esvazia a principal campanha política do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no país norte-americano. A medida ocorre em meio a uma reaproximação diplomática entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva e representa um revés direto para o filho do ex-presidente, que articulou pessoalmente as punições desde seu autoexílio nos EUA, iniciado em março.
A revogação, anunciada na última sexta-feira (12), é vista por analistas como um golpe na influência de Eduardo Bolsonaro. Para o cientista político Nauê Bernardo Azevedo, a retirada das sanções “enfraquece o parlamentar e esvazia os planos dele”, demonstrando que sua capacidade de pressão sobre Washington pode ter se esgotado. O doutor em direito Renato Ribeiro de Almeida reforça que a decisão é pragmática, refletindo a normalização de uma relação histórica entre os dois países e enfraquecendo o que chama de "extremismo" do deputado.
A articulação de Eduardo Bolsonaro, feita em conjunto com o blogueiro Paulo Figueiredo, já havia rendido ao parlamentar um inquérito no STF, no qual é réu por suposta coação ao tentar influenciar relações internacionais para pressionar autoridades brasileiras. Agora, ele também enfrenta um procedimento administrativo na Câmara dos Deputados que pode custar-lhe o mandato por excesso de faltas, notificado pelo presidente da Casa, Hugo Motta.
Em reação à decisão norte-americana, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo emitiram uma nota conjunta expressando "pesar", mas agradecendo o apoio inicial de Trump. Já o senador Flávio Bolsonaro tentou vincular a revogação ao projeto de lei da Anistia que será votado no Senado, sugerindo que uma aprovação poderia levar os EUA a retirarem totalmente as tarifas remanescentes sobre produtos brasileiros.
A Lei Magnitsky, usada pelos EUA para punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos, havia sido aplicada contra Moraes em julho, e contra sua esposa e uma empresa da família em setembro, além de ter motivado a suspensão de vistos de outras autoridades brasileiras. A revogação sinaliza uma mudança de rota na política externa de Trump em relação ao Brasil, priorizando o relacionamento de Estado a Estado sobre as pressões de grupos políticos específicos.