Cientista brasileiro Luciano Moreira, criador dos "wolbitos", é eleito um dos 10 mais influentes do mundo pela revista Nature
Engenheiro agrônomo lidera fábrica que produz 5 bilhões de mosquitos por ano para combater dengue; método já é política nacional de saúde e reduziu casos em até 89%
Publicado em
O Brasil ganhou destaque no cenário científico global. O engenheiro agrônomo e entomologista Luciano Moreira, ex-pesquisador da Fiocruz Minas e atual presidente da Wolbito, foi eleito pela renomada revista Nature como uma das dez personalidades mais influentes da ciência em 2025. O reconhecimento é fruto de seu trabalho pioneiro no Método Wolbachia, que produz mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria que impede a transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya.
Em entrevista, Moreira expressou emoção: “Eu fiquei muito emocionado, quase não acreditei. Acho muito importante, no Brasil, a gente conseguir fazer pesquisas de ponta. E o que mais me dá satisfação é ver que estamos conseguindo reduzir o sofrimento e as mortes no país”. Seu trabalho agora integra a lista de feitos marcantes do ano, ao lado de conquistas como a cura de uma doença genética por edição de DNA e a construção da maior câmera astronômica do mundo.
O grande salto liderado por Moreira foi transformar uma técnica de laboratório em uma estratégia de saúde pública em escala nacional. Em julho, foi inaugurada em Curitiba a maior fábrica de mosquitos do mundo, capaz de produzir 100 milhões de ovos de "wolbitos" por semana – 5 bilhões ao ano –, protegendo potencialmente 14 milhões de brasileiros anualmente.
A tecnologia, que já demonstrou reduções de até 89% nos casos de dengue, está implementada em vários estados, incluindo Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e Goiás. O sucesso se deve não apenas à comprovação científica, mas à habilidade de Moreira em engajar comunidades e convencer gestores públicos.
Como funciona a tecnologia
O método é aplicado em parceria com municípios e o Ministério da Saúde:
- Engajamento Comunitário: A população local é consultada e informada.
- Liberação dos Wolbitos: Por 4 a 6 meses, mosquitos com a Wolbachia são liberados.
- Estabilização: Os "wolbitos" cruzam com mosquitos selvagens, passando a bactéria para as gerações futuras, criando uma população autossustentável que não transmite os vírus.
- Monitoramento: A queda nos casos das doenças é acompanhada continuamente.
O reconhecimento pela Nature coroa uma trajetória que coloca a ciência brasileira na vanguarda do combate a doenças negligenciadas, salvando vidas e servindo de modelo para o mundo. Em um contexto global que busca respostas mais justas a pandemias, o trabalho de Moreira se destaca como um exemplo prático e eficaz de inovação em saúde pública.