31 de julho de 2025

Presidente da Alerj é preso pela PF suspeito de vazar informações sigilosas de operação contra o Comando Vermelho

Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi detido na Operação Unha e Carne. Investigação apura vazamento de dados da Operação Zargun, que prendeu o ex-deputado TH Joias por tráfico e corrupção em setembro

Por Redação
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O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil) - Foto: Divulgação

Em uma ação que atinge o alto escalão do poder no Rio de Janeiro, a Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quarta-feira (3) o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil). A prisão preventiva foi cumprida no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun – megaoperação que, em setembro, prendeu o então deputado estadual TH Joias por seus vínculos com o Comando Vermelho (CV).

Segundo a PF, o vazamento teria obstruído as investigações em curso. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro (Ficco/RJ) cumpriu, além da prisão de Bacellar, 8 mandados de busca e apreensão e 1 de intimação. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dentro do contexto do julgamento da ADPF das Favelas, que determinou à PF a investigação de grupos criminosos e suas conexões com agentes públicos.

A operação que teria sido alvo do vazamento, a Zargun, foi uma das maiores investidas recentes contra o Comando Vermelho. Em setembro, prendeu TH Joias e desarticulou um esquema de corrupção que incluía, segundo as investigações, a infiltração na administração pública para obter impunidade e informações sigilosas, a importação de armas do Paraguai e até a venda de equipamentos antidrone para facções rivais.

A PF identificou a participação de um delegado da própria corporação, policiais militares e ex-secretários no esquema. O montante de bens sequestrados na operação chegou a R$ 40 milhões.

Paralelamente, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) moveu a Operação Bandeirante contra TH Joias, denunciando-o por associação para o tráfico e comércio ilegal de armas de uso restrito. A ação descrevia o grupo como intermediário de drogas, armas e equipamentos para dificultar operações policiais, movimentando grandes somas em espécie para financiar a facção.

A prisão do presidente da Alerj coloca um holofote sobre a suspicada conexão entre a cúpula do poder legislativo estadual e o crime organizado, revelando o nível de infiltração que as investigações da Força-Tarefa estão buscando desvendar. A PF ressaltou que a atuação de agentes públicos no vazamento de dados é um dos maiores obstáculos ao combate ao crime organizado. O caso segue em investigação.