Disputa pelo legado de Bolsonaro divide família e expõe rachas no PL após prisão do ex-presidente
A condenação do ex-presidente a 27 anos pela trama golpista o afastou do cenário eleitoral, enquanto Michelle Bolsonaro e os quatro filhos mais velhos entraram em conflito
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A prisão de Jair Bolsonaro, que completa 10 dias na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, expôs fissuras internas no clã bolsonarista e desencadeou uma disputa aberta pelo espólio político da família. A condenação do ex-presidente a 27 anos pela trama golpista o afastou do cenário eleitoral, enquanto Michelle Bolsonaro e os quatro filhos mais velhos entraram em conflito público pela liderança da direita.
A crise tornou-se explícita após Michelle criticar a aproximação do PL do Ceará com Ciro Gomes (PSDB) durante evento partidário em Fortaleza. "Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá", afirmou a ex-primeira-dama, contradizendo o aval que o próprio Bolsonaro teria dado à articulação, segundo o deputado André Fernandes (PL-CE), presidente estadual da sigla.
A postura de Michelle gerou reação imediata dos filhos de Bolsonaro. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a fala da madrasta como "autoritária e constrangedora", ressaltando que a aliança com Ciro tinha caráter pragmático para enfraquecer Lula no estado. Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que Michelle "atropelou" o pai, enquanto Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a obediência de Fernandes à orientação paterna. Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) também apoiou os irmãos, marcando a primeira vez que os quatro filhos se alinham publicamente contra a madrasta.
Histórico de tensões familiares
As divisões não são inéditas, mas atingem novo patamar com Bolsonaro preso. Desde 2022, Michelle e Carlos acumulam desentendimentos públicos, incluindo o "unfollow" mútuo no Instagram e críticas veladas sobre a relação do ex-presidente com a neta. Em março deste ano, Michelle admitiu ter "perdoado" Carlos, mas afirmou preferir "manter distância". Agora, com o patriarca impossibilitado de mediar os conflitos, as disputas internas ganham caráter decisivo para o futuro político da família.
Michelle busca se projetar como herdeira natural, com forte apelo entre mulheres e evangélicos. Eduardo Bolsonaro já se colocou como presidenciável, mas enfrenta desgaste por polêmicas e investigações judiciais. Paralelamente, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) surge como nome moderado, embora evite romper abertamente com o bolsonarismo. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, até agora não se manifestou sobre a crise interna.