Consumo de canetas para emagrecimento dispara em Alagoas e alcança 47 milhões de reais em 2025
O montante representa um crescimento de 80,6% em relação ao mesmo período de 2024 no estado
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O mercado de medicamentos injetáveis para emagrecimento avançou de forma acelerada em Alagoas. Entre janeiro e outubro de 2025, o varejo farmacêutico do estado registrou a comercialização oficial equivalente a R$ 47 milhões em canetas aplicadoras de fármacos voltados ao controle de peso, ou ao menos usados para este fim.
O montante representa um crescimento de 80,6% em relação ao mesmo período de 2024 no estado, confirmando a consolidação e o crescimento das terapias medicamentosas baeadas das em hormônios análogos de GLP-1.
Essas canetas aplicadoras, de dose semanal ou diária, tornaram-se o formato padrão das terapias metabólicas modernas e respondem por praticamente toda a expansão registrada em 2025. O domínio de multinacionais como Novo Nordisk e Eli Lilly também aumentou a disponibilidade no varejo, impulsionando estoques e investimentos em distribuição.
Farmacêuticos relatam que o público em Alagoas está mais diversificado: o uso, antes restrito a pacientes com obesidade diagnosticada, passou a incluir pessoas em busca de perda de peso por razões estéticas ou preventivas. A necessidade de prescrição médica permanece obrigatória, mas a procura cresceu a ponto de alterar rotinas de abastecimento e logística das redes.
O endocrinologista Lucas Mendonça de Almeida, especialista em Endocrinologia e Metabologia, afirma que, apesar de os medicamentos serem seguros dentro das indicações clínicas, o uso fora desses critérios representa riscos reais. “As duas principais indicações para emagrecimento são em casos de obesidade (IMC > 30) ou sobrepeso (IMC > 27) associado à alguma comorbidade relacionada ao excesso de peso”.
Segundo ele, a perda rápida de peso sem ajustes adequados na alimentação e no treinamento pode causar perda de massa magra. “Com certeza a perda de massa magra que eventualmente ocorre durante o uso dessas medicações é um ponto negativo, mas que pode ser evitado ou minimizado tendo uma ingesta proteica adequada (em média 2g/kg/dia) associado à uma intensificação dos treinamentos de força como a musculação”.
Lucas afirma ainda ter atendido pacientes internados por desidratação grave provocada por vômitos em uso não supervisionado, com aplicações diárias da droga — quando a dose correta é semanal. “Apesar de efeitos colaterais graves serem raros, eu já atendi mais de um paciente que teve que ser internado devido à desidratação causada por vômitos ou diarreia em excesso. Em todos os casos, o uso da medicação estava sendo sem acompanhamento médico, com doses elevadas”.
O médico minimiza a questão dos lucros das grandes indústrias farmacêuticas e evita problematizar a questão do uso indiscriminado do medicamento e seus efeitos sociais. Ele prefere dizer que há benefícios para os usuários: “O lucro com certeza foi enorme. Mas não só da indústria farmacêutica, como também do paciente. Lógico que a vaidade humana impulsionou bastante as vendas, mas prefiro acreditar que o lucro seja principalmente devido à melhora significativa na saúde dos pacientes que fazem o uso”.
De fato, o lucro é bilionário. A Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa responsável pelo Ozempic e Wegovy, registrou crescimento de 36% em vendas globais em 2023, segundo levantamento do Financial Times. Analistas já apontam que as receitas com medicamentos de GLP-1 estão mudando o eixo financeiro da indústria farmacêutica global.