31 de julho de 2025
Tragédia

Bombeiros encerram combate a incêndio que deixou 128 mortos em Hong Kong

Tragédia é a mais letal desde 1948 no território; bombeiros confirmam que sistemas de segurança não funcionaram e mais de 100 pessoas seguem desaparecidas

Por Redação
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Este é pior incêndio registrado em várias décadas em Hong Kong - Foto: Philip FONG / AFP

O número de mortos no incêndio do complexo residencial Wang Fuk Court, em Hong Kong, subiu para 128, configurando-se como a pior tragédia do tipo em várias décadas no território. As autoridades confirmaram que os alarmes de incêndio dos arranha-céus devastados pelas chamas não funcionaram corretamente, impedindo que muitos residentes fossem alertados a tempo.

O fogo começou na tarde de quarta-feira (26) nos andaimes de bambu que cobriam as torres em reforma do conjunto habitacional, localizado no distrito de Tai Po. Após mais de 40 horas de combate às chamas em edifícios de 31 andares, o Corpo de Bombeiros declarou o incêndio "praticamente extinto" na manhã de sexta-feira. Enquanto isso, parentes de mais de 100 desaparecidos percorrem hospitais e centros de identificação em uma busca angustiante por seus familiares.

O chefe dos bombeiros, Andy Yeung, revelou que os sistemas de alarme dos edifícios "não funcionavam de maneira correta" e prometeu "medidas coercitivas" contra os responsáveis. Moradores relataram à AFP que não ouviram nenhuma sirene e precisaram alertar vizinhos batendo de porta em porta. A tragédia já é considerada o incêndio mais fatal em Hong Kong desde 1948.

As investigações apontam para a combinação perigosa dos tradicionais andaimes de bambu - altamente inflamáveis - com redes de proteção de plástico que envolviam os prédios. A agência anticorrupção do território já abriu investigação sobre as obras de reforma, e a polícia deteve três homens sob suspeita de negligência. O governo anunciou inspeções urgentes em todos os conjuntos habitacionais com obras importantes e estuda substituir os andaimes de bambu por estruturas metálicas.

Enquanto as equipes de emergência ainda retiravam corpos dos escombros - 89 vítimas seguem não identificadas -, a comunidade se mobilizou para ajudar os sobreviventes. Postos de distribuição de roupas, alimentos e atendimento médico foram montados nas proximidades, recebendo tantas doações que os organizadores pediram para interromper novos envios. O governo criou um fundo de auxílio de US$ 38,5 milhões para apoiar as vítimas da tragédia.