Fogos e 'churrasco' marcam reação de moradores do condomínio de Bolsonaro à prisão
Enquanto administração proíbe debates políticos em grupos de WhatsApp, vizinhos reagem com comemorações, mensagens indiretas e receio de novos conflitos no local
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Horas após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro ser decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na manhã deste sábado, o clima no condomínio Solar de Brasília, onde ele residia, tornou-se polarizado entre os moradores. Enquanto alguns demonstravam apreensão com possíveis tumultos e nova movimentação nas ruas internas, outros celebravam a decisão judicial com queima de fogos e convites para comemorações particulares dentro do residencial.
Nos grupos de WhatsApp do condomínio, a divisão de opiniões se manifestou através de mensagens indiretas e simbólicas. No grupo “Assuntos Gerais Solar BSB”, enquanto alguns moradores trocavam saudações matinais e combinavam churrascos, uma residente compartilhou por volta das 10h21 um link da música “É Hoje”, de Caetano Veloso, no que muitos interpretaram como uma celebração. Outro participante escreveu mais cedo: “Hoje tá bom pra fazer churrasco”, acompanhado de emojis de risada, enquanto uma vizinha anunciou que faria uma festa de aniversário antecipada em sua residência.
A administração do condomínio interveio rapidamente para conter qualquer manifestação política explícita, reforçando as regras do grupo. “Não é permitido publicação de cunho político sob hipótese alguma”, alertou uma administradora, marcando especificamente uma moradora que havia comentado sobre o caso. A mensagem foi seguida por um reforço: “Não será permitida a publicação de nenhum assunto referente à política neste grupo”, com a advertência de que mensagens inadequadas seriam excluídas e reincidências resultariam em expulsão do grupo.
Este não é o primeiro episódio de tensão no condomínio, que desde agosto vem registrando queixas de moradores sobre buzinaços, congestionamentos e temores de acampamentos de apoiadores do ex-presidente.