31 de julho de 2025
1ª Turma do Supremo

PF apura fuga clandestina de Ramagem; deputado deixou o país no mês de sua condenação pelo STF

Parlamentar condenado por tentativa de golpe cruzou a fronteira por Roraima; Moraes já havia decretado prisão preventiva em decisão sigilosa

Por Redação
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Alexandre Ramagem durante interrogatório no STF - Foto: Gustavo Moreno/STF

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, deixou o Brasil clandestinamente em setembro justamente o mês em que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o núcleo central da trama golpista.

 Ramagem embarcou em um voo para Boa Vista (RR) e, de lá, seguiu de carro até a fronteira, rumo a outro país. A Polícia Federal investiga se a rota usada cruzou a Venezuela ou a Guiana. O veículo teria sido alugado na capital roraimense. Antes de entrar para a política, o parlamentar foi delegado da PF no estado.

Na quarta-feira (19), o PSOL acionou o STF e a Polícia Federal pedindo a prisão do deputado. Porém, conforme apuração da TV Globo, o ministro Alexandre de Moraes já havia decretado a prisão preventiva de Ramagem, atendendo a um pedido sigiloso da PF.

Condenação por tentativa de golpe

Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Os ministros concluíram que ele utilizou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que dirigiu no governo Bolsonaro, para monitorar adversários políticos e apoiar ações destinadas a desacreditar o sistema eleitoral.

A decisão determinou ainda a retenção de seu passaporte e proibiu que ele deixasse o país. O processo está em fase de recursos; o primeiro embargo apresentado por sua defesa já foi rejeitado. Encerrada essa etapa, a pena poderá ser executada.

Um documento enviado à Câmara dos Deputados mostra que Ramagem solicitou, na terça-feira (18), um celular com roaming internacional para participar remotamente da votação do Projeto Antifacção. Pelas regras da Casa, contudo, parlamentares não podem exercer o mandato fora do território nacional.

A Câmara informou que não autorizou viagem oficial ao exterior e que não recebeu comunicação formal de afastamento do país. O deputado apresentou atestados médicos entre 9 de setembro e 8 de outubro e de 13 de outubro a 12 de dezembro.