Advogada recorre ao silêncio em CPMI ao ser questionada sobre repasses a parentes de dirigentes do INSS
Cecília Mota nega origem ilícita de R$ 20 milhões movimentados, mas evita explicar transferências de R$ 4 milhões a filho de ex-diretor
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Em depoimento tenso à CPMI do INSS, a advogada Cecília Rodrigues Mota recorreu reiteradamente ao direito ao silêncio quando questionada sobre repasses milionários a parentes de ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Amparada por habeas corpus do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ela admitiu conhecer investigados e movimentar cerca de R$ 20 milhões, mas negou que os recursos tivessem origem ilícita.
O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), confrontou a depoente com transferências específicas: R$ 4 milhões para Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis e R$ 630 mil para Thaísa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador do INSS Virgílio de Oliveira.
Em ambas as situações, Cecília optou pelo silêncio, alegando não poder detalhar "para não prejudicar investigações em andamento".
Gaspar destacou a evolução patrimonial da advogada: de um Ford Ka de R$ 59 mil em 2020 para dois Mustangs de R$ 350 mil cada atualmente. Sobre viagens, Cecília negou ter realizado 33 viagens internacionais como alegado, admitindo apenas "sete ou oito".
Sergio Moro (União-PR) classificou os repasses como "mensalão" e afirmou que a depoente "se corrompeu, pagou suborno e se locupletou". Já Damares Alves (Republicanos-DF) avaliou que as provas são suficientes para "penas mais altas". O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), reiterou a proposta de suspensão por seis meses dos consignados para proteger aposentados.
A CPMI segue investigando as fraudes em consignados que teriam desviado recursos de aposentados e pensionistas através de associações supostamente fraudulentas.