31 de julho de 2025
Elo Principal

Costura de ouro: Alfaiate dos Famosos é apontado como peça central em esquema de lavagem do INSS

Empresário João Carlos Camargo Júnior é acusado de ser o "elo principal" para lavar mais de R$ 31 milhões desviados de aposentados e pensionistas

Por Redação
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João Carlos Camargo Júnior é acusado de ser o "elo principal" para lavar mais de R$ 31 milhões - Foto: Agência Senado

A CPMI da Covinha do INSS identificou no empresário João Carlos Camargo Júnior, conhecido como o "alfaiate dos famosos", o possível "elo principal" de lavagem de dinheiro de um esquema que desviou benefícios previdenciários. Em depoimento nesta terça-feira (18), o empresário, munido de um habeas corpus, optou por não responder às perguntas dos parlamentares.

De acordo com o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a MKT Connection Group, empresa de Camargo, recebeu R$ 31 milhões da Associação Amar Brasil, entidade apontada como fachada para as fraudes. A sua tradicional alfaiataria também teria recebido R$ 1,7 milhão da mesma associação, sem comprovação de serviços prestados.

"Esse rapaz aqui é um profissional de sucesso, sujou a carreira, o futuro, pela ganância. Usou as suas contas para lavar dinheiro, para pegar dinheiro sujo", acusou Gaspar, anunciando que pedirá a prisão do alfaiate ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O Fluxo do Dinheiro e a Conexão com Outros Investigados


As suspeitas sobre Camargo surgiram de um relatório do Coaf, que rastreou as transferências milionárias da Amar Brasil para a MKT Connection. A investigação revela que o empresário não atuava sozinho.

Ele foi sócio de uma outra empresa, a Kairos Representações Ltda., ao lado de nomes já investigados pela Polícia Federal no mesmo esquema, como Américo Monte Júnior, Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Felipe Macêdo Gomes. O elo em comum entre todos eles, segundo o relator, é o contador Mauro Palumbo Concílio, que prestava serviço para as empresas do grupo.

"Essa organização criminosa se juntou em várias empresas e retiraram mais de R$ 700 milhões roubados de aposentados e pensionistas", afirmou Gaspar. "Aí do nada aparece o alfaiate. Ele aparece ligado a todos eles."

Silêncio e Contestações


Durante a sessão, João Camargo exerceu seu direito ao silêncio com base em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele apenas contestou a ligação de sua alfaiataria com as fraudes e afirmou que os serviços prestados pela MKT Connection foram declarados e tiveram impostos pagos.

"Tais serviços foram declarados, impostos devidamente pagos, despesas quitadas e os lucros realizados como o dia a dia de qualquer empresa", disse. No entanto, quando questionado sobre a natureza desses serviços e sobre a existência de outras 14 empresas ligadas a seu nome, ele se calou.

O senador Sérgio Moro (União-PR) também reforçou as acusações. "A indagação que fica, evidentemente, é que a sua empresa recebeu R$ 24 milhões, em princípio com suspeitas de lavagem de dinheiro, já que o senhor também não esclarece os motivos [...] desses pagamentos", disse.