31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Ex-procurador do INSS nega corrupção em depoimento tenso à CPMI; relator acusa e pede prisão

Virgílio Filho utilizou direito ao silêncio em diversas perguntas sobre patrimônio e suspeitas de esquema fraudulento que lesionou aposentados. Relator citou acréscimo patrimonial de R$ 18 milhões

Por Redação
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A CPMI identificou um acréscimo patrimonial de Virgílio Filho de R$ 18 milhões em cinco anos - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, negou qualquer envolvimento em irregularidades nos descontos de aposentadorias durante seu depoimento à CPMI do INSS nesta quinta-feira (23). Amparado por um habeas corpus, o ex-gestor adotou a estratégia de responder a algumas questões e manter silêncio em outras, principalmente sobre temas considerados potencialmente incriminatórios.

Em um dos momentos mais tensos da sessão, o relator da comissão, deputado Alberto Gaspar (União-AL), foi enfático em suas acusações: "O senhor liderou a maior corrupção dentro do INSS. O senhor é uma vergonha para a carreira e deveria estar preso". Gaspar apresentou indícios de um acréscimo patrimonial de R$ 18 milhões em cinco anos e questionou a compatibilidade com a renda de um servidor público, citando a suposta aquisição de um apartamento de luxo de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú.

Virgílio Filho negou conhecer o empresário Maurício Camisotti e manteve silêncio sobre contatos com Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", ambos suspeitos de atuar no esquema. Sobre questões patrimoniais, ficou em silêncio quando questionado sobre empresas da esposa e da irmã, e sobre a compra de um carro Porsche para a esposa, admitindo apenas ter tentado comprar um Audi.

Em sua defesa, o ex-procurador afirmou: "Não sou político e não tenho padrinho político. Sou apartidário. Sempre atuei de forma técnica". Sobre as acusações de corrupção, foi categórico: "Não sou corrupto".

O ex-procurador também foi questionado sobre a autorização de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com entidades como a Contag, mesmo diante de pareceres contrários. Ele argumentou que seu parecer destacou o direito à livre associação e a necessidade de autorização prévia do segurado, e que a fiscalização desses acordos não era atribuição da procuradoria.

O senador Jorge Seif (PL-SC) avaliou que o esquema foi deliberado e contou com apoio político, afirmando: "Estamos em um bom caminho. Nos falta chegar aos mandantes, mas chegaremos, com certeza". A esposa de Virgílio, Thaisa Hoffmann Jonasson, que depôs anteriormente, é investigada por supostamente ter atuado como "laranja" em empresas usadas para lavar recursos desviados.

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