Relator Alfredo Gaspar anuncia pedido de prisão preventiva de envolvidos em fraudes milionárias contra o INSS
CPMI avança nas investigações e aponta estrutura criminosa por trás de quatro entidades que teriam desviado mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS segue avançando nas investigações e revelou, nesta segunda-feira (20), novos elementos sobre um dos maiores esquemas de fraudes já registrados na Previdência Social. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (AL), anunciou que irá solicitar a prisão preventiva de quatro investigados: Felipe Macedo Gomes, Américo Monte Júnior, Anderson Cordeiro e Igor Delecrode.
Apontado como líder do grupo, Felipe Macedo Gomes é ex-presidente da entidade Amar Brasil Clube de Benefícios e, segundo a CPMI, controlava direta ou indiretamente outras três associações com acordos vigentes com o INSS: Master Prev, ANDAPP e ASAAP. As entidades firmaram Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o Instituto entre 2022 e 2024 e, juntas, movimentaram mais de R$ 700 milhões.
Durante sessão que se estendeu por mais de 12 horas, o relator detalhou o funcionamento da rede de corrupção, destacando o papel de cada investigado no esquema. “Felipe Macedo tinha procuração para atuar nas quatro associações. Ao lado dele, estavam Américo Monte Junior e Anderson Cordeiro. Já Igor Delecrode forneceu a estrutura tecnológica que viabilizou o golpe”, afirmou Alfredo Gaspar.
Organogramas, dados financeiros e depoimentos colhidos pela comissão apontam que os envolvidos atuavam de forma coordenada, revezando-se no comando das entidades e assinando contratos milionários com familiares de autoridades ligadas ao INSS. “Eles inseriram até cláusulas anticorrupção nos contratos, como se isso mascarasse a imoralidade do que estavam fazendo”, criticou o relator.
Alfredo Gaspar também destacou o padrão de vida dos investigados, que incluía a compra de veículos de luxo como uma Ferrari e quatro Porsches, já apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Sem Desconto. “Esse patrimônio foi comprado com o dinheiro dos aposentados e pensionistas, que sequer sabem que são os verdadeiros donos desses bens”, enfatizou.
O pedido de prisão preventiva será formalmente apresentado na próxima sessão da CPMI do INSS. A comissão também deve avançar nas investigações de outras pessoas e empresas com vínculos com a rede fraudulenta, buscando rastrear os recursos desviados e ampliar a responsabilização dos envolvidos.
“Estamos diante de um esquema criminoso que se aproveitou da confiança dos beneficiários da Previdência. A justiça precisa alcançar todos os responsáveis, e nesta CPMI, o cerco está se fechando”, concluiu o deputado.