“A família recebeu mais de R$ 20 milhões”, afirma Gaspar sobre advogada do Sindnapi
Durante audiência, Tonia Andrea Inocentini Galleti e familiares foram questionados sobre pagamentos milionários do Sindnapi, investigado por descontos irregulares no INSS
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O relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a família da advogada Tonia Andrea Inocentini Galleti, assessora jurídica do Sindnapi, teria recebido mais de R$ 20 milhões em recursos oriundos do sindicato.
A declaração foi feita durante o depoimento de Tonia à comissão nesta segunda-feira (20), que também levantou questionamentos sobre a atuação dela e de parentes em empresas contratadas pelo sindicato.
Segundo Gaspar, os valores milionários recebidos pelos familiares de Tonia — incluindo o marido, a mãe, a irmã e a prima — estavam entre os pontos centrais da investigação.
O Sindnapi é acusado de realizar descontos associativos diretamente na folha de aposentados sem autorização formal. Tonia é filha de João Batista Inocentini, fundador e ex-presidente da entidade.
Apesar de comparecer à CPMI com habeas corpus do STF, que a protegia de perguntas que pudessem incriminá-la, Tonia respondeu aos questionamentos.
Ela afirmou: “Quando vocês colocam: 'Ah, não sei quantos milhões para a sua família', a minha família trabalhou. Pode-se falar: 'Isso é uma certa imoralidade, não deveria estar toda a família lá!', mas isso não se trata de crime. Eu trabalhava 10h a 12h por dia, porque se eu tive um chefe carrasco, esse cara foi o meu pai, que me ensinou o valor do trabalho, ele e minha mãe.”
O depoimento também abordou a chamada “venda casada” de empréstimos vinculada a filiações do Sindnapi, feitas em parceria com o banco BMG.
Tonia explicou que a criação da Gestora Eficiente, que envolvia seu marido, e da Essence, gerida por sua mãe e irmã, foi motivada pela necessidade de gestão de projetos diante da queda no número de filiados entre 2016 e 2017.
Ela ainda questionou: “O procedimento para a pessoa ser sócia do sindicato é um procedimento específico. Então, ele tinha que assinar um termo de filiação, um termo de autorização de desconto; assinar a apólice do seguro, tirar uma foto com um adesivo do sindicato, gravar um áudio dizendo que tinha ciência de que ia descontar mensalidade direto no seu benefício no valor de 2,5%.”
Para o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), os depoimentos mostram como o esquema fraudulento funcionava, com “blindagem” de pessoas-chave via habeas corpus.
Viana declarou: “Essa pessoa vem muito bem orientada para tentar nos convencer de que uma família que recebe de um sindicato mais de R$ 20 milhões agiu sempre dentro de um aspecto legal. Os contratos podem até estar certos, mas é moralmente inaceitável que um sindicato tenha utilizado, ainda que em três ou quatro anos, um valor tão grande para pagar aqueles que deveriam estar zelando pelo bem comum do que foi descontado.”
O senador Izalci Lucas (PL-DF) destacou: “É difícil explicar para o Brasil: foi um excelente serviço que prestaram ou essa transferência foi para lavar dinheiro. Pelo menos nas outras instituições o dinheiro era repassado para lavagem de dinheiro.”
*Com informações da Agência Senado