Resistência a antibióticos cresce mais de 40% e preocupa OMS
A organização faz um apelo global para que os países fortaleçam seus sistemas de vigilância e laboratórios até 2030, garantindo qualidade, abrangência e transparência na coleta de dados sobre resistência antimicrobiana
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o aumento preocupante da resistência aos antibióticos em todo o mundo. De acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira (13), o índice de resistência entre 2018 e 2023 cresceu mais de 40%, o que representa uma séria ameaça à saúde global, principalmente em países com sistemas de saúde fragilizados.
A OMS destacou que uma em cada seis infecções bacterianas registradas em 2023 era resistente ao tratamento com antibióticos. Em algumas regiões, como o Sudeste Asiático e o Mediterrâneo Oriental, essa taxa sobe para uma em cada três infecções. Na África, é uma em cada cinco.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o avanço da resistência antimicrobiana está superando os progressos da medicina moderna. “É essencial garantir o uso responsável de antibióticos, acesso equitativo a diagnósticos e medicamentos adequados, além de investimentos em novas tecnologias, vacinas e testes moleculares rápidos”, afirmou.
O relatório, baseado em dados de mais de 100 países participantes do Sistema Global de Vigilância da Resistência e Uso de Antimicrobianos (GLASS), revela que antibióticos essenciais estão perdendo eficácia. Entre os exemplos mais críticos, destacam-se:
- Mais de 40% das cepas de Escherichia coli são resistentes às cefalosporinas de terceira geração;
- Mais de 55% das Klebsiella pneumoniae também apresentam resistência ao mesmo antibiótico;
- Na África, a resistência de Klebsiella pneumoniae ultrapassa os 70%.
O levantamento analisou resistência a 22 antibióticos usados para tratar infecções do trato urinário, gastrointestinal, sanguíneas e gonorreia, cobrindo oito patógenos bacterianos comuns, como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Neisseria gonorrhoeae.
Apesar do aumento na adesão ao sistema GLASS — de 25 países em 2016 para 104 em 2023 —, a OMS ressalta que 48% dos países não reportaram dados no último ano, e muitos dos que reportaram ainda carecem de sistemas laboratoriais adequados para gerar informações confiáveis.
A organização faz um apelo global para que os países fortaleçam seus sistemas de vigilância e laboratórios até 2030, garantindo qualidade, abrangência e transparência na coleta de dados sobre resistência antimicrobiana.
“O combate à resistência aos antibióticos exige ação coordenada em todos os níveis da saúde pública, com diretrizes de tratamento alinhadas aos padrões locais de resistência”, conclui o relatório.