31 de julho de 2025
RÚSSIA

Putin assume responsabilidade por queda de avião da Embraer que matou 38 no Cazaquistão

Presidente russo detalhou que mísseis de defesa aérea detonaram perto da aeronave ao repelir drones ucranianos

Por Redação
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Avião da Embraer abatido pelas forças russas em 2024 - Foto: Reprodução/TV Globo

Em uma declaração histórica, o presidente russo Vladimir Putin assumiu nesta quinta-feira (9) que as defesas aéreas de seu país foram responsáveis pela queda do avião da Embraer que matou 38 pessoas no Cazaquistão em dezembro do ano passado. Durante encontro com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, Putin explicou que dois mísseis russos detonaram próximo à aeronave da Azerbaijan Airlines após a entrada de drones ucranianos no espaço aéreo regional.

"Os dois mísseis lançados não atingiram o avião diretamente. Se isso tivesse acontecido, ele teria caído no local. Mas eles explodiram, talvez como medida de autodestruição, a poucos metros de distância, cerca de 10 metros", detalhou Putin. O presidente russo acrescentou que o piloto interpretou o impacto como uma colisão com pássaros, informação registrada nas caixas-pretas do avião.

A admissão representa uma significativa mudança na postura russa, já que o governo do Cazaquistão havia indicado em relatório preliminar em fevereiro que "objetos externos" causaram a queda, sem especificar a origem. Aliyev, que inicialmente acusou a Rússia de encobrir as causas, agradeceu a Putin por acompanhar pessoalmente as investigações.

Putin se comprometeu publicamente com a indenização das vítimas: "É claro que tudo o que for necessário em casos tão trágicos será feito pelo lado russo em termos de indenização e uma avaliação legal de todas as questões oficiais será feita. É nosso dever fazer uma avaliação objetiva de tudo o que aconteceu".

O voo J2-8243, operado por um Embraer 190, havia decolado de Baku com destino a Grózni, na Chechênia, quando foi forçado a fazer um pouso de emergência próximo a Aktau, no Cazaquistão. As caixas-pretas foram analisadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) do Brasil em janeiro, com os resultados repassados às autoridades cazaques. O episódio expõe os riscos colaterais dos sistemas de defesa aérea em regiões de conflito, mesmo fora das zonas de guerra declaradas.