31 de julho de 2025
ABSURDO

Peixe de ouro: Rio Largo abre licitação de R$ 3,8 milhões para compra de pescado enquanto população cobra obras estruturais

Vinculado à Secretaria de Cultura e Lazer, edital milionário para distribuição na Semana Santa de 2026 entra na mira dos órgãos de controle devido ao montante exorbitante diante de carências em saúde e infraestrutura

Por Redação
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Fachada da prefeitura de Rio Largo. - Foto: Reprodução

A Prefeitura Municipal de Rio Largo acendeu o sinal de alerta nos sistemas de controle de gastos públicos e gerou forte repercussão no debate político local. Documentos públicos de transparência revelam que a gestão municipal abriu um processo licitatório com valores que chamam a atenção pela magnitude: uma previsão de gastos de impressionantes R$ 3.828.429,00 exclusivamente para a compra de peixes destinados à distribuição durante o período da Semana Santa de 2026.

O edital em questão, registrado sob o número 90001/2026, foi colocado sob o guarda-chuva da Secretaria Municipal de Lazer, Cultura, Esporte e Turismo, com abertura realizada em 28 de janeiro deste ano. A consolidação do negócio já avançou para os papéis do município, constando nos portais de transparência o registro formalizado do Contrato nº 90001-016/2026 para dar andamento à aquisição do pescado.

Embora a entrega de peixes no período da Páscoa seja uma prática assistencial e cultural amplamente difundida em diversas prefeituras do Nordeste, a cifra que beira os R$ 4 milhões em Rio Largo chocou a população. O investimento milionário ocorre em um momento crítico, onde moradores de múltiplos bairros da cidade enfrentam problemas crônicos de infraestrutura urbana, além de constantes reclamações sobre a precariedade nos serviços públicos de saúde e educação.

O montante astronômico inevitavelmente levanta discussões sobre o planejamento e a real lista de prioridades da administração municipal. Especialistas em auditoria governamental alertam que despesas sazonais dessa magnitude exigem justificativas técnicas extremamente robustas, sob o risco de configurarem desperdício de recursos que poderiam sanar demandas urgentes e definitivas do município.

Além do impacto financeiro direto aos cofres públicos, a contratação impõe uma série de interrogações que devem atrair a fiscalização da Câmara de Vereadores e do Ministério Público. Um dos pontos principais reside na logística de armazenamento, uma vez que uma estrutura municipal voltada ao lazer e à cultura precisará gerenciar o congelamento de toneladas de peixe perecível sem sofrer perdas por refrigeração inadequada. Há também dúvidas sobre a transparência do cadastro, o número real de famílias beneficiadas e os critérios de vulnerabilidade social adotados para dimensionar uma compra tão expressiva, além da necessidade de auditar o preço do quilo do pescado contratado em relação às médias de mercado para atacado.

A ampla divulgação das cifras joga luz sobre um dilema recorrente na gestão de Rio Largo, questionando até que ponto ações assistencialistas temporárias justificam o escoamento de verbas milionárias enquanto problemas estruturais históricos continuam se acumulando nas portas dos cidadãos. Com o contrato assinado, cabe agora à sociedade civil e aos órgãos fiscalizadores acompanhar de perto o rastro desse dinheiro para garantir que a transparência não fique apenas no papel.

Com informações do portal Inova Alagoas.