PF desarticula esquema de fraude em concursos públicos liderado por ex-PM da Paraíba
Investigação aponta que Wanderlan Limeira, condenado por tortura, usava familiares para aplicar golpes no CNU 2024, Caixa e Banco do Brasil
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Um ex-policial militar com extensa ficha criminal é apontado como um dos chefes de uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. Wanderlan Limeira de Sousa, 44 anos, foi preso preventivamente pela Polícia Federal no último dia 2 de outubro, dentro de um hospital em Campina Grande (PB), durante a Operação Última Fase, que cumpriu mandados na Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Wanderlan, que foi expulso da PM da Paraíba em 2021 após ser condenado por tortura, inscreveu-se no CNU para demonstrar a eficiência do método fraudulento aos "clientes". Ele foi aprovado para o cargo de auditor fiscal do trabalho – com salário inicial de R$ 22,9 mil –, mas não compareceu ao curso de formação. De acordo com a PF, o ex-policial contava com a participação de pelo menos quatro familiares no esquema: os irmãos Valmir e Antônio, a cunhada Geórgia e a sobrinha Larissa, que atuavam em diferentes funções na estrutura criminosa.
A principal evidência do grupo está na identidade dos gabaritos do CNU. Wanderlan, Valmir, Larissa e outro investigado, Ariosvaldo, apresentaram respostas idênticas – inclusive nos erros –, apesar de terem realizado provas de tipos diferentes. Um laudo técnico atestou que a probabilidade de isso ocorrer por acaso é equivalente a ganhar o prêmio máximo da Mega-Sena 18 vezes consecutivas.
O esquema utilizava pontos eletrônicos, mensagens codificadas e comunicação externa para repassar respostas durante as provas. Em alguns casos, profissionais de saúde auxiliavam na instalação dos dispositivos.
Relatório do Coaf identificou movimentações suspeitas, como depósitos em espécie de R$ 419,6 mil feitos por Geórgia, que não tinha vínculo empregatício desde 1998. O grupo também usava "laranjas", negociações fictícias de imóveis e veículos para mascarar o pagamento de propinas – parte do valor de uma vaga na Caixa Econômica Federal foi quitado com a compra de uma motocicleta em nome de um terceiro.
As investigações apontam a atuação da organização em dezenas de concursos entre 2015 e 2025, incluindo certames das Polícias Civis de PE e AL, UFPB, Caixa e Banco do Brasil. Doze mandados de busca e apreensão e três prisões preventivas foram deferidos, além do afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens.
Os acusados responderão pelos crimes de fraude em concurso público, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documento público.