31 de julho de 2025

Empresário recusa depoimento na CPMI do INSS com base em habeas corpus de Fux e gera críticas de parlamentares

Fernando Cavalcanti, que teve Ferrari e relógios de luxo apreendidos, invocou direito ao silêncio; senador Marcos Rogério o acusa de ser o "verdadeiro chefe" do esquema

Por Redação
Publicado em
Fernando Cavalcanti (c) presta depoimento, entre o presidente da CPMI, Carlos Viana, e seu advogado - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Em um depoimento tenso à CPMI do INSS nesta segunda-feira (6), o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti optou por exercer seu direito ao silêncio na maior parte do interrogatório, com base em um habeas corpus preventivo concedido pelo ministro do STF, Luiz Fux. A postura, orientada por seus advogados, frustrou parlamentares que buscavam explicações sobre a explosão patrimonial do investigado, que teve bens de luxo – como uma Ferrari e relógios caríssimos – apreendidos pela Polícia Federal.

Ao ser questionado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) sobre movimentações financeiras milionárias e doações a campanhas políticas, Cavalcanti declarou: "A partir deste momento, eu permanecerei calado, me utilizando do dispositivo que tenho do meu habeas corpus. Tudo que eu tinha para falar na Polícia Federal e no STF, e aqui eu acho que já foi exaurido". O empresário também informou estar em "processo de desassociação" do advogado Nelson Wilians, figura central nas investigações.

Os parlamentares reagiram com duras críticas à estratégia de defesa. O senador Marcos Rogério (PL-RO) salientou que Cavalcanti, que se declarou como um "captador de clientes", na verdade atuava como lobista com "foco na política". O senador foi além e afirmou que o comportamento de "Senhor Ostentação" sugere que ele era o "verdadeiro chefe de operações do escritório", questionando ainda seu possível vínculo com empresas de apostas online (bets).

O debate se estendeu para além do caso Cavalcanti, quando o deputado Alencar Santana (PT-SP) exibiu materiais que supostamente comprovam a proximidade do senador Izalci Lucas (PL-DF) com o empresário e com o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes – que já foi preso pela investigação. A associação foi feita em relação à tramitação da MP 871/2019, que tratou de emendas ligadas ao esquema. Em resposta, Izalci rebateu as acusações, classificando-as como "levianas" e reiterando que tem sido proativo ao assinar requerimentos para quebras de sigilo que possam levar aos "verdadeiros corruptos".

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), direcionou suas críticas à Conafer, acusando a entidade de praticar "maloqueiragem" ao tentar se aproximar de gabinetes para criar uma falsa imagem de legitimidade. Diante dos desdobramentos, membros da comissão manifestaram apoio a uma nova convocação de representantes da Conafer para esclarecer sua atuação no suposto esquema de fraudes.

Leia também