31 de julho de 2025
em investigação

CGU descobre fábrica de biometria fake na ''Farra do INSS'' com fotos de RG xerocadas e manipuladas

O objetivo era simular filiações consentidas e burlar a regra implementada pelo INSS em 2024, que exigia selfies para validação

Por Redação
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O objetivo era simular filiações consentidas e burlar a regra implementada pelo INSS em 2024, que exigia selfies para validação - Foto: Divulgação/INSS

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que entidades envolvidas no esquema bilionário da "Farra do INSS" utilizaram fotos de documentos de identidade xerocadas, manipuladas e até coloridas artificialmente para forjar biometrias faciais de aposentados. O objetivo era simular filiações consentidas e burlar a regra implementada pelo INSS em 2024, que exigia selfies atuais para validar os descontos em benefícios previdenciários.

As investigações revelaram que associações recorreram a empresas de tecnologia, como Power BI, Confia e Dataqualify, que atuavam como "fábricas de biometria fake". Essas empresas desenvolviam ferramentas específicas para criar fichas de filiação fraudulentas, inserindo imagens antigas de RG ou fotos digitalmente adulteradas no campo destinado à selfie atual do aposentado.

O esquema apresenta relações promíscuas entre entidades e fornecedores. Um dos casos mais emblemáticos é o da Associação de Assistência Social a Pensionistas e Aposentados (AASPA), cujo presidente, Anderson Ladeira, é também dono da Dataqualify - empresa contratada para validar as assinaturas digitais da própria entidade. Apenas oito entidades que contrataram a Power BI arrecadaram R$ 1,4 bilhão com os descontos indevidos.

As fraudes não têm resistido à análise do Poder Judiciário. Juízes têm decidido sistematicamente contra as entidades, argumentando que a mera existência de uma foto não comprova o consentimento do aposentado. Em um caso específico, a defesa demonstrou que a geolocalização de uma suposta assinatura digital colocava o aposentado a 580 km de sua cidade de residência.

O esquema, que movimentou ao menos R$ 2,2 bilhões em descontos indevidos, só começou a ser desarticulado com a Operação Sem Desconto da Polícia Federal em abril de 2024. As investigações continuam para apurar a totalidade das fraudes e responsabilizar todos os envolvidos no esquema que afetou milhares de aposentados em todo o país.