31 de julho de 2025
OPERAÇÃO SEM DESCONTO

CPMI do INSS ouve empresário e ex-sócio de Nelson Wilians na próxima segunda-feira (6)

Relator Alfredo Gaspar critica demora do órgão de controle e cita prejuízo de até R$ 2 bilhões

Por Redação
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Alvo da operação da Polícia Federal, o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, que irá depor à CPI na segunda, foi sócio do advogado Nelson Wilians - Foto: Reprodução/Instagram

A CPMI do INSS terá uma semana decisiva, com a oitiva do empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, marcada para a próxima segunda-feira (6), a partir das 16h. Ex-sócio do renomado advogado Nelson Wilians, que já depôs à comissão, Cavalcanti foi um dos alvos da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões.

A convocação do empresário, que atua no Distrito Federal, foi aprovada com base em quatro requerimentos. Em um deles, a senadora Leila Barros (PDT-DF) detalhou que Cavalcanti teve bens de luxo apreendidos, incluindo uma Ferrari, uma réplica de um carro de Fórmula 1, relógios caros e uma grande quantia em dinheiro. A parlamentar ressaltou que o empresário é apontado como sócio e dirigente de empresas que atuam em áreas ligadas ao setor investigado.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), usou seu protagonismo para criticar duramente a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU). Após o depoimento do ministro Vinicius Marques de Carvalho, que durou cerca de 10 horas, Gaspar afirmou que a CGU demorou a agir e permitiu dois anos de desvios de recursos. "O que é que a CGU poderia ter feito? Uma medida cautelar para suspender esses ACTs [acordos de cooperação técnica]. Nós teríamos economizado aí R$ 1,5 bilhão ou R$ 2 bilhões em desvios. Havia uma porta aberta para a corrupção", criticou o parlamentar alagoano em entrevista coletiva.

Gaspar também destacou que a comissão tem o desafio de investigar as irregularidades nos empréstimos consignados, que, em sua avaliação, têm uma dimensão muito maior que os descontos associativos. Ele sugeriu ao ministro da CGU a suspensão cautelar desses consignados. Em resposta, Vinicius Carvalho afirmou que sua equipe está estudando o caso e que uma medida do tipo pode ser tomada após uma análise aprofundada dos dados.

O cenário político também esteve em evidência durante a sessão. O líder da oposição no Senado, Rogerio Marinho (PL-RN), afirmou que houve um aumento exponencial de descontos após o início do governo Lula e criticou a demora do Planalto em agir. Já o líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), rebateu, classificando os acordos de cooperação técnica (ACTs) como "o ventre de fecundação das fraudes" e lembrando que metade delas se concentra em três entidades que firmaram os termos durante o governo Bolsonaro, chamando a situação de "herança maldita".

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reafirmou o compromisso do colegiado. "Esta CPMI cumprirá o seu dever. Se outras instâncias não cumprirem, o Brasil saberá onde está a falha. Não estamos aqui para espetáculo; estamos aqui para fazer justiça", declarou. O andamento dos trabalhos sugere que novos depoimentos de peso, como o do ex-ministro da CGU Wagner Rosário, devem ser agendados para as próximas semanas, mantendo o foco nacional nas investigações que impactam diretamente os cofres da Previdência.

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