31 de julho de 2025
Educação

Pesquisa nacional com 2,3 milhões de alunos revela desafios no ensino fundamental para adolescentes

A pesquisa foi realizada durante a Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, promovida pelo MEC

Por Redação
Publicado em
estudantes do ensino fundamental - Foto: Seduc-Ceará

Uma pesquisa inédita lançada nesta terça-feira (9) ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e revelou desafios importantes enfrentados por alunos em fase de transição da infância para a adolescência. O levantamento subsidiará a criação da primeira política nacional voltada especificamente a essa etapa escolar.

Embora 66% dos alunos mais jovens (6º e 7º anos) afirmem se sentir acolhidos pela escola, esse número cai para 54% entre os mais velhos (8º e 9º anos). Já o respeito e valorização aos professores apresentam índices ainda mais baixos: apenas 39% dos estudantes mais novos e 26% dos mais velhos declaram respeitar e valorizar os docentes.

A pesquisa foi realizada durante a Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, promovida pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Consed, Undime e o Itaú Social, e contou com a participação de 21 mil escolas cerca de 46% das instituições que oferecem essa etapa de ensino nas redes públicas do país.

Durante o lançamento do relatório, em Brasília, a secretária da Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, defendeu a adaptação das salas de aula para refletir a diversidade dos estudantes. “Todo mundo aprende de um jeito diferente. Precisamos preparar professores, escolas e comunidades para essas especificidades”, afirmou.

A pedagoga Tereza Perez, da organização Roda Educativa, alertou que a padronização do ensino desconsidera as diferenças e contribui para a evasão escolar. “A reprovação é usada como único recurso para lidar com a diversidade, mas isso não gera aprendizagem e provoca abandono”, disse.

 Destaques da pesquisa

  • Acolhimento:
    • 66% dos alunos do 6º e 7º anos se sentem acolhidos
    • 54% dos alunos do 8º e 9º anos sentem o mesmo
    • Em escolas com mais vulnerabilidade, 69% percebem a escola como acolhedora, contra 56% em contextos menos vulneráveis
  • Socialização:
    • 65% dos mais jovens acham que a escola favorece amizades; entre os mais velhos, esse índice é de 55%
    • 84% dos estudantes afirmam ter amigos com quem gostam de estar
  • Relação com professores:
    • Apenas 39% dos estudantes mais novos e 26% dos mais velhos dizem respeitar e valorizar os docentes
  • Temas mais valorizados pelos alunos:
    • Disciplinas tradicionais: 48% (6º e 7º anos) e 38% (8º e 9º anos)
    • Corpo e socioemocional: 31% e 29%
    • Habilidades para o futuro: 21% e 24%
    • Direitos e sustentabilidade: 13% em ambos os grupos

A superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, destacou que o Brasil rompe um histórico de décadas sem políticas específicas para adolescentes na educação. “Nenhum outro país teve a coragem de escutar os adolescentes como parte da política pública”, afirmou.

A estudante Dandara Vieira Melo, de 13 anos, da rede pública do Acre, participou do evento em Brasília e contou como passou a ver a escola de forma positiva após ser atendida pelo Programa Travessia, que busca corrigir distorções entre idade e série. “A escola é um lugar para aprender, conhecer novas pessoas e culturas”, disse.