31 de julho de 2025
"não é confiável"

Defesa de Bolsonaro ataca delação de Mauro Cid e alega inexistência de provas no STF

Advogado Celso Vilardi questiona credibilidade do ex-ajudante de ordens durante julgamento

Por Redação
Publicado em
Celso Vilardi, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Antonio Augusto/STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contestou veementemente as acusações de envolvimento em suposta trama golpista durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (3). Seu advogado, Celso Vilardi, argumentou que não há provas concretas que liguem o ex-presidente a planos como o "Punhal Verde e Amarelo" ou aos eventos de 8 de janeiro de 2023, classificando a delação premiada de Mauro Cid como uma "sucessão inacreditável de fatos" e destacando supostas inconsistências em seu depoimento .

Vilardi enfatizou que a colaboração de Cid à Polícia Federal (PF) não apresenta evidências sólidas para incriminar Bolsonaro, alegando que o ex-ajudante de ordens "foi pego na mentira pela enésima vez" e não é confiável. O advogado também criticou o volume de dados do processo, que superou 70 terabytes, afirmando que a defesa não teve tempo hábil para analisar todo o material, o que violaria o princípio da paridade de armas processuais .

O julgamento, que está sendo realizado pela Primeira Turma do STF, analisa a Ação Penal nº 2.668, envolvendo Bolsonaro e outros sete réus acusados de integrar o "núcleo crucial" de uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A sessão desta quarta-feira focou nas sustentações orais das defesas, com previsão de votação pelos ministros apenas nas próximas sessões, agendadas para os dias 9, 10 e 12 de setembro .

A estratégia da defesa de Bolsonaro incluiu ainda questionamentos sobre a validade jurídica da delação de Mauro Cid, com Vilardi argumentando que omissões e contradições deveriam resultar na anulação do acordo. Esse posicionamento ecoou alegações de outros advogados dos réus, que também pediram a rescisão da colaboração premiada durante o primeiro dia do julgamento .

A decisão final da Primeira Turma poderá resultar em penas que ultrapassam 30 anos de prisão, dependendo da conclusão dos ministros sobre as provas apresentadas .