ACM Neto evita explorar crise de Jaques Wagner após operação da PF sobre Banco Master
Aliados do ex-prefeito de Salvador avaliam que silêncio é a melhor estratégia diante de ligações anteriores do grupo político com a instituição financeira investigada
Publicado em
Principal adversário do PT na Bahia e pré-candidato ao governo estadual em 2026, ACM Neto (União Brasil) decidiu adotar uma postura de cautela diante da crise envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos alvos da mais recente fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Segundo informações divulgadas pela coluna da jornalista Milena Teixeira, do portal Metrópoles, o grupo político liderado por ACM Neto não pretende explorar politicamente o desgaste enfrentado pelo senador petista após seu nome aparecer nas investigações relacionadas ao Banco Master.
A operação, deflagrada na última quinta-feira (19), apura supostas irregularidades envolvendo a instituição financeira e resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados. O caso ganhou repercussão nacional após a Polícia Federal apreender valores em moeda estrangeira e relógios durante as diligências realizadas em imóveis vinculados a Jaques Wagner.
Nos bastidores da política baiana, a expectativa era de que a oposição aproveitasse o episódio para intensificar críticas ao principal líder petista no estado. No entanto, a estratégia adotada foi justamente a contrária.
De acordo com a publicação, aliados de ACM Neto avaliam que o assunto deve ser tratado com cautela porque o próprio ex-prefeito de Salvador também manteve relações institucionais com o Banco Master durante sua trajetória política. A avaliação interna é que qualquer tentativa de explorar o caso poderia abrir espaço para questionamentos sobre contratos e aproximações anteriores com a instituição financeira.
Mesmo após participar de eventos públicos e conceder declarações nos últimos dias, ACM Neto evitou citar diretamente Jaques Wagner ou comentar a operação da Polícia Federal.
A postura evidencia uma estratégia de contenção em um momento delicado para o cenário político da Bahia, onde PT e União Brasil travam uma disputa histórica pelo comando do estado.
Enquanto isso, Jaques Wagner segue no centro das investigações da Operação Compliance Zero. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que irá prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades. O Partido dos Trabalhadores também divulgou nota manifestando confiança na inocência do parlamentar e defendendo o aprofundamento das apurações.