31 de julho de 2025
ELEIÇÕES NO PERU

Após quase duas semanas de apuração, Fujimori mantém vantagem apertada na disputa presidencial

Diferença entre os candidatos é de cerca de 41 mil votos; oposição pede recontagem e questiona resultado

Por Redação
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Após quase duas semanas de apuração, Fujimori mantém vantagem apertada na disputa presidencial - Foto: Divulgação

A disputa pela Presidência do Peru segue indefinida quase duas semanas após a realização do segundo turno. Com 99,6% das urnas apuradas até este sábado (20), Keiko Fujimori aparece à frente de Roberto Sánchez por uma diferença de aproximadamente 41 mil votos.

Segundo os dados mais recentes da apuração, Fujimori soma 50,113% dos votos válidos, enquanto Sánchez registra 49,887%, mantendo um dos cenários mais equilibrados da história recente do país.

A contagem dos votos começou em 7 de junho, logo após o encerramento da votação. No entanto, o processo tem avançado lentamente devido ao sistema eleitoral peruano, que utiliza cédulas de papel e atas preenchidas manualmente.

Diante da diferença reduzida, o candidato Roberto Sánchez intensificou a pressão por uma revisão do resultado. Na sexta-feira (19), ele participou de uma manifestação que defendeu a recontagem dos votos e cobrou maior transparência no processo eleitoral.

A coligação Juntos por el Perú, que apoia Sánchez, apresentou pedidos para anular cerca de 2,3 mil seções eleitorais sob alegação de irregularidades. Entretanto, parte dos recursos foi considerada inadmissível pela Junta Nacional Eleitoral (JNE), incluindo solicitações relacionadas à região metropolitana de Lima e a seções instaladas nos Estados Unidos.

Em pronunciamento nas redes sociais, Sánchez afirmou que a recontagem dos votos seria uma forma de fortalecer a confiança da população no sistema democrático.

Enquanto isso, a legenda do candidato de esquerda declarou que não reconhecerá um resultado que permaneça cercado por questionamentos. O partido afirma que seguirá contestando o processo até que todas as dúvidas sejam esclarecidas.

Histórico de instabilidade

A eleição ocorre em um momento de forte turbulência política no Peru. Caso confirme a vitória, Keiko Fujimori assumirá o comando do país em um cenário marcado por sucessivas trocas de governo.

Nos últimos dez anos, o Peru teve oito presidentes diferentes, entre renúncias, impeachments e governos provisórios. Nenhum chefe de Estado eleito conseguiu concluir o mandato nesse período.

A partir deste novo ciclo político, o país também retomará o sistema bicameral, voltando a contar com Câmara dos Deputados e Senado, em uma mudança considerada histórica para o modelo institucional peruano.

Enquanto a apuração se aproxima do fim, a expectativa permanece voltada para a validação oficial dos resultados e para os possíveis desdobramentos das contestações apresentadas pela oposição.