31 de julho de 2025
Depoimento

Carla Zambelli afirma à CCJ que espera ser libertada em breve na Itália

Zambelli foi condenada em agosto, junto com o hacker Walter Delgatti Neto, pela invasão do sistema eletrônico do CNJ

Por Redação
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Para ela, "o processo foi todo injusto, do começo até o final" - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) declarou nesta quarta-feira (24) que espera ser libertada em breve na Itália, onde está presa e aguarda a análise de um pedido de extradição para o Brasil. A fala ocorreu durante depoimento à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.

“Em pouco tempo, não vou estar mais dentro de um presídio, vou estar solta, porque o processo foi todo injusto, do começo até o final”, afirmou a parlamentar. Zambelli responde à Representação 2/25, apresentada pela Mesa Diretora da Câmara após sua condenação criminal pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o depoimento, Zambelli criticou o julgamento no STF e afirmou que as autoridades italianas ficaram surpresas com o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter atuado como vítima, relator e julgador do caso. “Quando expliquei isso, riram e disseram: ‘isso não existe, fala a verdade para a gente’”, relatou.

Zambelli foi condenada em agosto, junto com o hacker Walter Delgatti Neto, pela invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Entre as ações criminosas está a inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Moraes. A parlamentar também foi condenada à perda do mandato, uma das hipóteses legais para cassação de parlamentar.

Ao responder ao relator da representação, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), Zambelli negou envolvimento direto com Delgatti Neto e minimizou a frequência de contatos entre ambos. “Converso com as pessoas mesmo quando me enganam, sou meio tonta, não tem outra explicação”, disse. Ela ainda argumentou que, mesmo que tivesse dado ordens ao hacker, "não serviriam de nada", já que o presidente Lula já havia sido eleito.

A CCJ já havia ouvido anteriormente Walter Delgatti Neto, que reiterou as acusações contra a deputada. Também foram ouvidos especialistas em provas digitais e um ex-assessor do TSE que atuam na defesa de Zambelli.

O presidente da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), informou que solicitou novamente ao ministro Alexandre de Moraes a retirada do sigilo da Ação Penal 2428, que trata do processo contra a deputada.