31 de julho de 2025

Médica envolvida no atendimento à criança morta em hospital de Cajueiro é afastada

Por Vinícius Rocha
Publicado em
Pequeno Everton da Silva Santos tinha apenas 5 anos. - Foto: Reprodução

A morte de Everton da Silva Santos, de 5 anos, enlutou todo o município de Cajueiro, na Zona da Mata alagoana. Filho único de um casal boia-fria e uma dona de casa, a criança teve a causa da morte apontada como broncopneumonia, enquanto a família acusa o Hospital Municipal Dr. Augusto Dias Cardoso de negligência.

Após repercussão do caso, divulgado em primeira mão pela Francês News, a secretaria de saúde do município emitiu uma nota em que admitiu o afastamento da médica que atendeu Everton e que é acusada pela mãe da criança de ter associado o quadro clínico da criança à má alimentação, condição negada com veemência pela dona-de-casa, que revoltou-se com a suposta fala da médica.

“Nós somos pobres, mas nunca faltou comida para o meu filho, sempre dei o café-da-manhã dele, o lanche, o almoço, tudo nos horários certos, nunca faltou nada”, rebateu a mãe.

A Prefeitura não comenta diretamente o episódio, mas afirma ter afastado a profissional e instaurado um processo interno para apurar responsabilidades, reforçando que “repudia veementemente qualquer ato de mau atendimento ou conduta desumana”.

A Polícia Civil de Alagoas confirmou que abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte e deve ouvir familiares, profissionais de saúde e analisar os prontuários médicos para avaliar se houve negligência.

O caso


A família diz que levou Everton ao hospital por três vezes entre o domingo (14) e a terça-feira (16) e que as equipes mandaram ele retornar para casa após aplicação de injeções e administração de remédios via oral, sem realizar nenhum exame na criança.

O município, através da nota, defendeu-se e afirmou que desde a primeira entrada da criança, no dia 15 de setembro, o hospital “encontrava-se em pleno funcionamento, contando com equipe médica plantonista, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além de equipamentos para exames e suporte de medicações”.

A versão contrasta com os relatos dos pais, que afirmam que em nenhuma das três idas ao hospital foram solicitados exames básicos, como raio-x ou laboratoriais, e que o garoto recebia apenas soro e injeções antes de ser liberado para casa.

O documento também relata que, no dia 16, diante do agravamento do quadro clínico, “foram feitos todos os esforços possíveis, incluindo o acionamento imediato da regulação para transferência em Maceió, administração de medicações, intubação e manobras de reanimação”. A narrativa difere da acusação do pai, que disse que as tentativas de reanimação só ocorreram após a morte da criança, quando já não havia mais chance de recuperação.

“Eles mataram meu filho”, indignou-se o trabalhador rural José dos Santos, pai de Everton, em entrevista à Francês News.

O laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) apontou como causas da morte pneumonia, broncopneumonia, edema pulmonar, derrame pleural e insuficiência respiratória, descartando meningite. A família, no entanto, diz que o hospital só levantou essa suspeita quando o menino já estava em estado crítico e que houve demora na tentativa de transferência para Maceió.

Durante o velório, familiares, vizinhos e moradores da comunidade protestaram em frente ao cemitério pedindo Justiça e cobrando providências. A Prefeitura afirma permanecer à disposição para prestar esclarecimentos e reforça o compromisso com “um atendimento digno, com o direito à vida e a construção de uma rede de saúde cada vez mais humana e acolhedora”.

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