31 de julho de 2025
ABSURDO

Família acusa hospital de negligência após morte de menino de 5 anos em Cajueiro

Everton da Silva faleceu após três dias de idas ao Hospital Municipal Dr. Augusto Dias Cardoso; pais alegam falta de exames, demora no atendimento e negligência

Por Vinícius Rocha
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População protestou durante o enterro de Everton da Silva, de 5 anos. - Foto: Reprodução

A morte do menino Everton da Silva, de 5 anos, gerou comoção e revolta em Cajueiro, no interior de Alagoas. Filho único do cortador de cana José Welington da Silva e da dona de casa Nielma da Silva Santos, o garoto faleceu na terça-feira (16), após ter sido levado três vezes em três dias ao Hospital Municipal Dr. Augusto Dias Cardoso. A família acusa a unidade de saúde de negligência médica.

Segundo o pai, o menino apresentou febre alta, dores de cabeça e dores abdominais desde o domingo (14). Na primeira ida ao hospital, Everton recebeu duas injeções e um medicamento oral, mas foi liberado para casa. O quadro não melhorou, e no dia seguinte voltou a ser atendido, quando recebeu apenas soro e outro medicamento.



“Ele chegava em casa do mesmo jeito, com dor. Não pediram exame, não passaram remédio para comprar. Só davam soro e mandavam para casa”, contou José Welington, emocionado.

Na madrugada de terça-feira, Everton foi novamente levado ao hospital. Recebeu mais soro e uma injeção, mas à tarde o quadro se agravou. “Quando minha esposa arrumava a bolsa para tentar uma transferência, ele já estava morto. Só quiseram reanimar quando não tinha mais jeito. Eu disse: ‘Vocês mataram meu filho’”, desabafou o pai.

A mãe, dona Nielma, afirmou que em um dos atendimentos foi informada pela médica de que a fraqueza do filho poderia estar relacionada a “falta de alimentação”. “Somos humildes, mas nunca faltou comida para o meu filho. Ele não comia porque estava doente, vomitava tudo. Ela falou isso na minha cara”, disse, indignada.

Ainda segundo o relato da mãe, o hospital demorou a encaminhar Everton para Maceió e só levantou a hipótese de meningite quando o menino já estava em estado crítico. O diagnóstico, no entanto, não foi confirmado e mãe garantiu que a criança tinha todas as vacinas em dia.



Revolta na comunidade


Durante o velório e o enterro de Everton, vizinhos e moradores da comunidade realizaram um protesto pedindo Justiça. Com cartazes e gritos de indignação, a comunidade cobrou explicações sobre a conduta da equipe médica.