Quem é o revolucionário morto há 54 anos conhecido como "Che Guevera Brasileiro"
Carlos Lamarca tem sua luta pela liberdade reconhecida em todo o país
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Há 54 anos, o Brasil perdia um dos maiores símbolos de resistência contra a ditadura militar: Carlos Lamarca. Capitão do Exército que abandonou a carreira para se dedicar à luta contra a repressão, Lamarca foi executado em 17 de setembro de 1971, mas permanece vivo na memória nacional como o “Che Guevara brasileiro”. Sua história, marcada por coragem, renúncia e esperança, continua inspirando gerações que acreditam em um país mais justo e democrático.
Nascido no Rio de Janeiro em 1937, Lamarca seguiu carreira militar e chegou a integrar a Força de Paz da ONU no Oriente Médio. Era reconhecido por sua habilidade como atirador e tinha um futuro promissor dentro das Forças Armadas. Porém, não se calou diante do golpe de 1964. Inconformado com a ditadura e inspirado por pensadores revolucionários como Lenin, Mao e Marx, passou a questionar o regime e a buscar caminhos para resistir.
Em 1969, após enviar sua família para Cuba com apoio de Carlos Marighella, Lamarca rompeu de vez com o Exército e se uniu à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A partir daí, mergulhou na clandestinidade, organizando ações, treinando jovens militantes e dedicando sua vida ao sonho de um Brasil livre. Sua trajetória ao lado de Marighella e de sua companheira Iara Iavelberg simbolizou a entrega de toda uma geração à luta pela democracia.
Na guerrilha, Lamarca estudava, lia, formava quadros e refletia sobre os rumos da revolução. Tornou-se referência para militantes que viam nele não apenas um comandante, mas uma esperança. “O nosso povo já foi traído por seus falsos líderes e, embora eu não tenha esta pretensão, sou uma esperança para o povo”, escreveu em carta à esposa. A identificação com Che Guevara não foi à toa: ambos escolheram abrir mão de suas vidas pessoais para se tornarem parte de uma causa maior.
O preço da resistência
Perseguido incansavelmente pela ditadura, Lamarca sobreviveu a várias caçadas, mas acabou cercado no sertão da Bahia em setembro de 1971. Doente e exausto, foi surpreendido junto a José Campos Barreto, o Zequinha. Fuzilado por agentes da repressão, foi transformado pela brutalidade do regime em mártir da luta contra a ditadura.
O legado de Lamarca
Hoje, Lamarca é lembrado como um homem que ousou dizer não à tirania. Seu nome ecoa entre estudantes, trabalhadores e militantes como símbolo de resistência e coragem. Mais do que um guerrilheiro, tornou-se inspiração para quem acredita que liberdade, justiça e dignidade são valores pelos quais vale a pena lutar.